25 — índice de conteúdos

Publicidade

Jornal de Espiritismo nº 25 · Novembro 2007Página 125 min

Partilhar
Idioma

Entrevista PUBLICIDADE Geraldinho Lemos Geraldo Lemos Neto é brasileiro e foi director da União Espírita Mineira, responsabilizando-se pela organização de vários livros em torno da mediunidade de Chico Xavier. Participou também no lançamento do último livro ainda inédito da psicografia de Chico Xavier em parceria com a editora GEEM, lançado em Outubro do ano passado, cujo título é “Mensagens de Inês de Cas- tro”. Em Belo Horizonte participa de reuniões do Centro Espírita Luz, Amor e Caridade, onde também dirige o Grupo de Estudos Zeca Machado.

Na União Espírita Mineira colabora mediunicamente nas actividades de desobsessão. www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Conhecendo Chico Xavier com alguma in- timidade, sente grande responsabilidade com isso perante a Espiritualidade? Geraldinho Lemos — Sinto-me como um grande devedor perante a misericórdia infi- nita de Deus que me possibilitou conhecer e conviver na intimidade com Chico Xavier.

Certa vez, brincando com uma amiga, Chico afirmou que quem teve mãe espírita nesta vida não terá perdão se falhar. Então, considerando que ele foi para mim um pai, uma mãe e um instrutor generoso e compassivo, austero e seguro, sinto uma enorme responsabilidade para fazer jus ao tanto que dele recebi. Os exemplos que colheu nessa vivência com Chico Xavier são para si como as de um homem sábio e justo e que deverão ser seguidas?

GL — Disse muito bem ao referir-se à per- sonalidade de Chico Xavier como a de um homem sábio e justo. De facto, a sabedoria em Chico Xavier sempre foi uma de suas mais proeminentes características de per- sonalidade. Não a pretensa sabedoria dos homens da Terra, mas aquela do verdadeiro sábio, que sabe que quanto mais conhece e aprende acerca da vida, do universo e de Deus, mas se reconhece pequeno, humilde, um cisco!

Assim foi a vida de Chico Xavier, com a sua comovente humildade, ensinan- do-nos que nada somos. Como começou o exercício da sua mediu- nidade? GL — Tive a alegria de contar com a instru- ção directa de 3 amigos queridos experien- tes nas coisas da vida e suficientemente preparados nas coisas do espírito. Brincava que eles formavam o meu trio de luzes, e, dentre eles, destaca-se a figura de Chico Xa- vier que dispensa apresentações.

As outras duas personalidades ilustres foram a mui digna sr.? Maria Philomena Aluotto Berutto, a nossa estimada D. Neném, que durante 33 anos ininterruptos presidiu a União Espírita Mineira, de 1962 a 1995, e, junto dela, o nosso insigne José Martins Peralva Sobri- nho ou simplesmente como lhe chamamos sr. Peralva, eminente jornalista e escritor espírita de renome, autor de várias obras de elevado valor doutrinário editadas pela Federação Espírita Brasileira e pela União Espírita Mineira, dentre as quais destaco o livro “Estudando a Mediunidade”, agora a ser traduzido inclusive para o idioma inglês, e que contém no seu prefácio uma men- sagem de Emmanuel psicografada pelo Chico.

O livro sobre a vida de Inácio de Antió- quia, teve de sua parte alguma pesqueisa histórica, que o pudesse auxiliar na psi- cografia a respeito do personagem nele focado? GL — Não, na verdade tenho que esclare- cer os amigos que nem mesmo antes de iniciar os singelos trabalhos de psicografia do referido livro guardei qualquer ideia do que viria a ser o serviço para o qual fora convidado a colaborar pela Espiritualida- de.

Então o espírito de Theophorus que coordenou as tarefas durante 18 meses, uma vez por semana, funcionou para mim como um autêntico e exigente professor, transmitindo-me aquelas informações e aqueles esclarecimentos históricos, dos quais nunca tivera conhecimento prévio. Posso afirmar-lhe que aprendi com ele mui- ta coisa, das quais não tinha qualquer ideia preconcebida, acompanhando o desenrolar da narrativa mediúnica com muito interesse como quem acompanha os capítulos de uma novela, curioso para esperar o próximo lance, mas sem ideia alguma do que acon- teceria a seguir.

Quando psicografa sobre personagens como Inácio de Antióquia, tem a opor- tunidade de os ver ou só é intuido sobre suas vidas? GL — Sim, alguns lances mais dramáticos da narrativa em desenvolvimento pelo es- pírito de Theophorus foram-me mostrados por ele, e muitas vezes me sentia como um observador de uma projecção de cinema em três dimensões, no qual apenas acom- panhava as cenas em movimento. Posso dizer-lhe que nessas ocasiões a emoção que nos dominara era tamanha que bastas vezes me banhava em lágrimas, no pranto da mais profunda comoção, sinceramente envergonhado de mim mesmo diante das veneráveis figuras do Cristianismo Nascen- te.

Sente-se realizado com o trabalho feito no campo da divulgação? GL — Quem me dera pudesse sentir-me realizado de alguma coisa! Não sinto ter realizado por mim coisa alguma. Sinto-me como alguém que fosse levado a seguir uma gente muito nobre e digna, espiritu- almente capitaneada pelo nosso amado Chico. A cada passo desse caminho de luz, tenho observado a sombra que me é pró- pria, sentindo-me no dever de atrapalhar o menos possível a marcha deste grupo iluminado de amor e renúncia, sabendo-me necessitado de prosseguir caminhando na companhia dessa gente boa, dedicada e generosa, para aprender com eles alguma coisa que me valha.

Acha que poderá fazer ainda muito mais? Na psicografia ou na divulgação pela palavra? GL — Creio, sinceramente falando, que Deus, Nosso Pai de Infinita Bondade e Mise- ricórdia, tudo pode. Só ele é o realizador de algo útil e proveitoso. Da sua fonte inesgo- tável de luz, verte toda a sabedoria e todo o amor de que necessitamos. Ele é a fonte perene da Celeste Bondade, materializada entre nós pelos ensinamentos de nosso Divino Mestre Jesus Cristo, revividos agora pela Doutrina dos Espíritos do Senhor.

En- tão, diante de tamanha bondade, creio que Deus pode utilizar um ser imperfeito como eu mesmo, cheio de mazelas, problemas e complicações, mas que se dispõe a servir. De modo que se me aceitar no serviço, estarei à disposição deles, naturalmente guiado e apoiado pela paciência dos gene- rosos benfeitores da Espiritualidade. Poderia deixar alguns conselhos aos mé- diuns em desenvolvimento? GL — O conselho que registo como sendo aquele que ouvi do nosso amado Chico Xavier é aquele de que não devemos nos preocupar muito com desenvolvimento da mediunidade, mas antes com o desenvol- vimento do amor em nós mesmos, porque o amor é a base da vida.

Sem ele, nada seremos. Há muita gente que se preocupa com o “modus operandii” da mediunida- de, as suas especificidades e técnicas de aprendizado e educação mediúnica, e está claro que o estudo nobre e a disciplina em serviço devem estar sempre presentes em qualquer cometimento de ordem espiritual. Contudo, é preciso convir que, quando nos dispomos ao serviço do Cristo, ele virá primeiramente na pessoa do parente difícil; do companheiro menos feliz que nos comunga a atividade profissional; do próximo perturbado que nos aborrece na via pública; do doente anónimo que pede o concurso de uma prece ou de um passe em hora inesperada; do aflito e sobrecarregado que nos exige um tanto mais de paciência e compreensão com a sua dor; e assim vamos aprendendo a servir sem exigências, desenvolvendo o amor puro e simples na direção dos nossos semelhantes, portas adentro do próprio coração.

Tudo o mais virá por acréscimo.