Crónica Corrupção: a grande ilusão foto loucomotiv A conversa ia anima
Jornal de Espiritismo nº 32 · Janeiro 2009Página 143 min
Crónica Corrupção: a grande ilusão foto loucomotiv A conversa ia animada na esplanada, a meio de um café, observando um pardalito que de salto em salto, procurava verificar da nossa animosidade ou não, em busca de um pedacito de pão. O tema, mais que comum. Falava-se da corrupção, de desvios de dinheiro, de abuso de poder, de for- tunas nas mãos de uns, enquanto outros se esfalfam a trabalhar para conseguirem suprir as suas dificuldades.
O caso de alguns banqueiros veio à baila, como outros que correm de boca em boca nos dias de hoje, em Portugal. Falou-se da corrupção à escala mundial, qual epidemia sem antídoto, como se fosse algo que nos teríamos de habituar, um mal necessário. Disse-lhes que não era bem assim, que essa perspectiva pessimista derivava apenas de um enfoque materialista, reducionista, olhando apenas para o aqui e o agora. Perante o ar intrigado dos meus interlocu- tores, falei-lhes do meu ponto de vista espí- rita.
Que somos seres imortais, que estamos temporariamente na Terra e, que depois, regressamos ao mundo espiritual, recolhen- do os efeitos das causas geradas por nós no aqui e agora, e que mais tarde voltamos a nascer, trazendo na consciência a marca das aquisições do passado, a repercutirem na vida seguinte, sob a forma de felicidade ou sofrimento. «Está bem»… retrucou um deles… «mas enquanto aqui andam são uns senhores e, depois logo se vê, até pode ser que não seja verdade essa história da reencarnação e entretanto o gajo lá se safou e nós aqui a chuchar no dedo…».
Falámos das evidências científicas da reencarnação, nomeadamente as pes- quisas do Dr. Ian Stevenson, entre muitos outros, que apontam a reencarnação como uma realidade inegável. Apontámos casos conhecidos, desembrulhámos meia dúzia de argumentos que, envoltos na lógica da doutrina espírita, deixaram os meus interlo- cutores a pensar. Numa altura em que novos paradigmas vêm demonstrar ao homem aquilo que a Doutrina Espírita defende – a imortali- dade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnaçãoea pluralidade dos mundos habitados – a humanidade permanece perdida no paradigma materia- lista, buscando aí a felicidade, como quem procura o impossível.
As experiências fora do corpo (EFC), as experiências de quase-morte (EQM), os casos sugestivos de reencarnação (CSR) – meninos-prodígio, crianças que se lembram de vidas passadas, comunicações mediúni- cas e regressão de memória – as visões no leito de morte (VLM) e a transcomunicação instrumental (TCI), apresentam-se como paradigmas insofismáveis da indepen- dência do Espírito relativamente ao corpo físico, autênticas antecâmaras para os novos paradigmas da humanidade que, despon- tam mais além e que mudarão a maneira de pensar da humanidade.
Quando o homem tiver a consciência da sua imortalidade, quando souber que volta- rá a reencarnar, encontrando o fruto do seu proceder na vida passada, então verificará que a xenofobia não faz sentido, já que poderá nascer num país qualquer, onde lhe seja mais útil para a sua evolução; o racismo não mais fará sentido, pois o homem pode nascer com esta ou aquela cor de pele, conforme for necessário enquanto viajante dos caminhos do aperfeiçoamento; a discri- minação sexual será ilógica, pois o homem saberá que pode nascer com a polaridade sexual masculina ou feminina, conforme lhe for mais útil para a sua evolução; a discri- minação social será uma aberração, pois o homem saberá que o marginalizado social de hoje foi, quiçá, o rico de ontem, que se perverteu no egoísmo, ao invés de utilizar a riqueza em prol da comunidade; o homem, sentirá que é sua obrigação a defesa do meio ambiente, e não mais prejudicará a Natureza, pois saberá que quando reencar- nar, encontrará a Terra como a deixar nesta vida.
A humanidade permanece perdida no paradigma materialista, buscando aí a felicidade, como quem procura o impossível. Com esses novos conhecimentos que a Doutrina Espírita trouxe à humanidade há cerca de 150 anos, a humanidade tomará consciência de que a corrupção é uma grande ilusão, e um passo em direcção a um grande abismo moral, com caminho ir- reversível para grandes vales de sofrimento e resgate, até que um dia a ética e a moral se sobreponham no coração do homem ao egoísmo e ao orgulho.
Relembrando os ensinamentos de Jesus de Nazaré, «a cada um segundo as suas obras», sendo «a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória».
