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Opinião FísicaeEspiritismojuntos Tudo surgiu numa conferência na ASEB

Jornal de Espiritismo nº 32 · Janeiro 2009Página 137 min

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em Braga. Dúvidas surgiram e eis que surge a nossa explicação, acerca da possibilidade de viagens entre dois universos ou regiões diferentes do mesmo Universo. Em concordância com a Relatividade Geral, o espaço-tempo pode ser curvo, de forma a ligar duas regiões longínquas através de um atalho. Este atalho hipotético é denominado por wor- mhole (tradução à letra: buraco de verme).

Um wormhole contém duas entradas que assinala- remos por bocas, ligadas por um túnel, em que a circunferência menor designaremos garganta. Por outro lado André Luiz in Mecanismos da Mediunidade inicia o capítulo IV, “Matéria Mental”, reconhecendo o “Pensamento do Criador”com um “Fluido Elementar”que opera como “base mantenedora de todas as associações a forma nos domínios inumeráveis do Cosmo”. Mas que relação tem a Física com o espírito de André Luiz?

É fácil presumir dois planos para a sua constru- ção: uma quântica e outra clássica, mas antes vejamos quais os atributos de um wormhole transitável: a falta de horizontes permite a viagem em duas vias, e as forças de maré sentidas por um cosmonauta devem ser pequenas; o resultado é esfericamente simétrico e estático, um requisito imposto para facilitar os cálculos, e deve respeitar as equações de campo de Einstein; para ser um wormhole, a solução deve possuir uma garganta (um estreito fragmento do espaço-tempo, extre- mamente curvo) que une duas regiões assimpto- ticamente planas de espaço-tempo; o resultado deve ser estável para pequenas perturbações durante a passagem do cosmonauta; deve ser possível construir um wormhole com uma quantidade de matéria finita num intervalo de tempo finito; um cosmonauta deve atravessar o wormhole num tempo próprio razoável, tal como o tempo medido por um observador colocado numa região plana do espaço-tempo, ou seja, muito afastado do campo gravítico.

Mecânica Quântica e Kardec A mecânica quântica tem por base as flutuações de vácuo gravitacionais. Sendo estas flutuações aleatórias e probabilísticas na curvatura do espaço-tempo face às tensões entre regiões espa- ciais adjacentes que continua e reciprocamente extraem e devolvem energia. Allan Kardec in A Génese, Cap. XIV, Os Fluidos, Item 3 explica: “(…) Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tan- gíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre.

Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.” Pensa-se que as flutuações de vácuo gravitacio- nais povoam todo o Cosmos, mas os seus efeitos são tão baixos que, com a actual tecnologia, a sua detecção é irrealizável. Em 1955, John Wheeler conciliou as leis da Mecânica Quântica e da Rela- tividade Geral, depreendendo que em regiões da ordem da escala de Planck, 10-35 m, as flutuações de vácuo são tão elevadas que o espaço-tempo como o conhecemos “fervilha”, constituindo uma espuma denominada “espuma quântica”.

Imaginemos um observador voando a 30 km de altitude numa viagem de avião Porto – São Paulo onde observa em baixo o oceano Atlântico, bem azul, totalmente plano; ao baixar de altitude, as ondas do mar passam a ser levemente visíveis e, descendo mais ainda, depara-se com uma infinidade de ondas na superfície do Atlântico verificando uma “espuma branca”. Segundo Wheeler, a “espuma quântica”existe em qualquer região do espaço-tempo, mas, para vê-la, seria imprescindível um hipotético supermicroscópio que permitisse observar o espaço a escalas cada vez menores.

Necessitaríamos descer da escala humana, da ordem de grandeza do metro, pas- sando pela escala do átomo, 10-10m, e do núcleo atómico, 10-15m, até à escala de Planck, 10-35m. A grandezas elevadas, o espaço seria visto como plano e ameno, mas, ao aproximarmo-nos da es- cala de Planck, principiaria a ondular ligeiramente, para terminar numa espécie de “ebulição”, relativo a uma “espuma quântica”, tal como as vagas das ondas nas praias da cidade do Porto.

Acção dos espíritos sobre a matéria Poderíamos conceber uma civilização evoluída (encarnados ou desencarnados) a retirar um wormhole transitável dessa “espuma quântica”, expandindo-o até obter dimensões macros- cópicas. Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” confirma: 30. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos? “De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.

”E continua na pergunta 33. A mesma matéria elementar é susceptível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades? “Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo”. Em «O Livro dos Médiuns» esclare- ce novamente Kardec: “A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele actua sobre a matéria elementar e, por uma acção consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades ínti- mas vêm assim a ficar transformadas.

(…) Pode igualmente, pela acção da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe confira determinadas propriedades. Esta faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce de modo instintivo, quando necessário, sem disso se aperceber. Os objectos que o Espírito forma têm existência temporária, subordinada à sua vontade, ou a uma necessidade que ele experimenta. Pode fazê-los e desfazê-los livremente.

Há formação; porém, não criação, atento que do nada o Espírito nada pode tirar.”Corrobora o espírito de André Luiz em «Mecanismos da Mediunidade»: “Compreende- mos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento subtil da vontade actuando nas formações da matéria física (...)” Thomas Roman sugere uma probabilidade curio- sa. Consideremos que um wormhole transitável poderia formar-se no Universo recém-nascido, através de uma flutuação quântica; sendo assim, é exequível que se possa transformar um wor- mhole quântico num wormhole com dimensões clássicas, num cenário inflacionário do Universo.

De acordo com a física clássica, poderíamos conceber uma civilização evoluída a distorcer o espaço-tempo à escala macroscópica, para cons- truir um wormhole. Para tal, é necessário rasgar o “tecido”do espaço-tempo em duas regiões e cozê-las juntas. Este rasgar do espaço-tempo, na verdade, resume-se ao aparecimento de uma singularidade, a qual, possivelmente, é governada pelas leis de uma “teoria de gravitação quântica” ainda por formular.

A esse mecanismo dá-se o nome de mudança topológica. Não saberemos se as mudanças topológicas são praticáveis até à elaboração e compreensão duma eventual “teoria de gravitação quântica”. A expectativa de construir um wormhole depende da formulação de um campo exótico, ou seja, de um estado quântico de campos cuja tensão exceda a densi- dade de energia à escala macroscópica. Mesmo que um campo exótico surja, subsistem outros impedimentos, particularmente: a possibilidade da mecânica quântica impedir uma mudança topológica do espaço-tempo; a possibilidade dos wormholes poderem ser muito instáveis; e a eventualidade da matéria exótica ligar fortemente com a matéria normal, o que impediria uma travessia.

Apesar de todas as dificuldades propositadamen- te apresentadas, não existe qualquer prova irrefutável que invalida a existência de wormho- les como soluções das equações de Einstein da gravitação. Na ausência de uma compre- ensão mais completa da matéria exótica, é difícil estabelecer uma análise concreta sobre a estabilidade do wormhole face a pequenas ou grandes perturbações, tal como na travessia de uma nave espacial.

Mas se o wormhole apresenta instabilidades naturais, uma civilização (encarnada ou desencarnada) avançada poderia monitorizar a sua estrutura e aplicar forças de “feedback”de modo a estabilizá-lo, segundo Morris e Thorne. Todavia, existem fortes indicações de que à escala de Planck, , os efeitos da gravitação quântica predominam e produzem uma espuma com uma estrutura multiplamente conexa do espa- ço-- tempo. Poderíamos imaginar uma civilização avançadíssima a extrair um wormhole transitável dessa espuma quântica, expandindo-o até atingir dimensões macroscópicas.

É claro, qualquer esperança de construir um wormhole depende da futura descoberta de um campo exótico, ou seja, de um estado quântico de campos cuja tensão exceda a densidade de energia à escala macroscópica. Uma possibilidade matemática Vejamos a solução proposta por Hernâni G. An- drade sobre o Campo Biomagnético (CBM), em nossa opinião, como cosmólogo, parece resolver os aspectos mais complicados e dar-nos uma resposta muito bem colocada - “a matéria física e a matéria psi podem exercer uma acção mútua entre si”.

De modo que não nos resta senão admi- tir os wormholes transitáveis no espaço-tempo como uma possibilidade digna de investigação e mais ainda, a possibilidade, embora teórica, é certo, mas comprovada pela Equação de campo de Einstein, da ligação e troca entre dois Universos (universo fisico e espiritual ou entre outros) ou en- tre regiões diferentes do mesmo Universo, como o espírito de André Luiz deixou bem patente em todas as suas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier.

Finalizamos com um trecho de «A Génese»: “Quem conhece, aliás, a constituição íntima da matéria tangível? (…) Ainda não conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível; o porvir, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se nos conserva em mistério.” Por Luís de Almeida luís.dalmeida@clix.