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Jornal de Espiritismo nº 32 · Janeiro 2009Página 125 min
Fenómeno O meu filho vê espíritos O caso poderá parecer fantástico, mas não deixa de ser apenas mais um caso banal, de pessoas que dizem ver outras pessoas, falecidas. Aqui, vemos o pequeno David que identifica uma criança desencarnada que ninguém conhecia. PUBLICIDADE PUBLICIDADE foto loucomotiv Quem nos relembra os factos vividos é a mãe de uma família que acabava de chegar a Portugal, emigrada na Suíça, corria o ano de 2000.
Apesar das alterações decorrentes desta mudança, “a vida corria dentro do normal”, até que o filho, pequeno David, “começou a manifestar fenómenos estranhos”, que os pais não compreendiam. “Decorreram dois anos de aflições e tor- mentos inexplicáveis”, recorda. Não era só o filho a fonte de perplexidade. O pai tinha atitudes bizarras e desarticuladas impró- prias do seu carácter, nomeadamente alte- rações de humor… “Ele não era assim…”, refere.
Não conseguia dormir, afastou-se do filho e da esposa, andava à deriva. Quando dormia, dava saltos, acordava a tremer, referindo sentir algo gelatinoso e frio que se colava ao corpo. Via vultos escuros e, por vezes, via e ouvia pessoas suas conhecidas, já falecidas. Tinha premonições durante os seus sonhos. “Não conseguíamos estar juntos, sem que soubéssemos porquê. Aquele não era o José que eu conhecia há 20 anos…”, assegura.
O filho, o pequeno David, queixava-se que sentia “coisas” que lhe metiam medo. Tinha muito medo da escuridãoenão queria dormir sozinho. Gritava frequentemente, dizendo que via um “homem-monstro” no corredor, que o queria apanhar, e não ousava passar ali; recusava-se ir sozinho à casa de banho e ao seu quarto. Quando dormia com a mãe no quarto, dizia que via sair de um quadro da parede, uma mulher muito feia, com os cabelos cinzentos e nem ousava olhar para lá.
Tinha pesadelos que o faziam chorar, mesmo a dormir, e acordava exausto e muito perturbado. Mas também falava com os amiguinhos com quem já tinha uma longa ligação e nessas alturas parecia apaziguado. O pe- queno David ainda mal falava e já mantinha longos diálogos com os dois amiguinhos imaginários (pensava a mãe). Eram o Andréeo Megan. A mãe achava curioso, pois não havia ninguém dos seus conhecimentos ou relacionamentos com este nome (Megan), nem mesmo nos desenhos animados ou algo que o pudesse influenciar.
Descrevia-os sempre da mesma maneira. O André tinha uma carinha redonda e muitos caracóis loiros (como o primo Peter) afirmava ele… O Megan usava um vestido cor de laranja, tinha cabelos pretos, a pele era amarela e os olhos eram como os dos chineses… Alguns anos mais tarde, José (pai do David) disse que o tinha visto, e descreveu-o da mesma forma…”Imaginámos que fosse um menino índio americano...” “Noutra ocasião, enquanto conduzia, ele ad- vertia os amigos imaginários para não me distraírem… aquilo fazia-me confusão…”, refere a mãe do David.
“Certo dia estava a brincar com os legos no quarto dele e falava, falava… «Agora põe tu! Qual queres? Este ou aquele? De que cor?», e associava os gestos à conversa, o que me despertou curiosidade e perguntei- -lhe com quem estava a falar”, refere a mãe do David. “Ele respondeu-me que era uma amiguinha nova e descreveu-a assim: «Sabes mamã? Ela já é grande, tem 13 anos, tem o cabelo grande e faz assim…» e gesticulava como se ela tivesse risco ao meio e metesse os cabelos atrás das orelhas…”.
“Ai sim? E como se chama? Perguntei. Ele indagou: - Como te chamas? Ficou calado como se estivesse a ouvir a resposta e respondeu-me: – É Isabel! - Onde mora ela? E ele repetia a pergunta e esperava uns segundos antes de dar a resposta… - Ela mora ali à frente, naquela casinha velha e tem muitos irmãos.” Continua a mãe: “Um dia, muito intrigada e atormentada com tais situações para as quais não tinha resposta, ao falar com uma vizinha, questionei-a discretamente sobre os possíveis moradores daquela casa, e ela disse-me que tinha habitado ali uma família com vários filhos, mas que após a morte da mais velhinha (que se chamava Isabel), eles tinham ido embora dali e que não sabia mais nada!
Escusado será dizer que fiquei ainda mais desorientada…”, refere a mãe do David. “Fui a todo o lado que me aconselhavam, como padres, bruxos, videntes, cartomantes e médiuns. Fiz todos os rituais e mezinhas que me sugeriram, e gastei imenso dinheiro em nome da inveja, mau-olhado, espíritos malfazejos e outros males que cada um via, perante o meu desespero”. O tempo passou, as forças iam fraquejando e tudo parecia desmoronar-se… Um dia “cansei-me de tudo e falei com o José, no sentido de ultrapassarmos o pro- blema que cada vez mais nos separava”.
José frequentou o curso básico de Espiri- tismo em 2003-2004, num centro espírita, “mas eu nem queria ouvir falar, estava tão cansada de “coisas” que eu não compreen- dia que achava melhor ficar alheia a tudo isso. Ele melhorou, o David também, e eu fiquei extremamente aliviada, mas não satisfeita, porque afinal não entendia o porquê daquela perturbação toda”… O encontro com a doutrina espírita foi um grande consolo!
Finalmente compreendo um bocadinho do mundo paralelo ao nosso e que interfere connosco mais do que eu podia imaginar. Comenta: “Agora frequento um centro espí- rita, onde me sinto muito bem. Fiz o curso básico.” E acrescenta: “O encontro com a doutrina espírita foi um grande consolo! Finalmente compreendo um bocadinho do mundo paralelo ao nosso e que interfere connosco mais do que eu podia imaginar. Apesar de guardar cicatrizes, sinto-me mais forte e acho que aprendi algumas lições de vida.
Percebi o benefício do perdão e da tolerância.” O conhecimento da doutrina espírita torna-se determinante para entender os factos espíritas, que abundam cada vez mais, entrando nos lares de ricos e pobres, instruídos ou não, seja qual for o sexo, raça ou ideologia. A comunicabilidade dos espíritos, um dos princípios básicos da Doutrina Espírita, demonstra à saciedade a imortalidade do Espírito, alertando assim a humanidade para a necessidade da sua melhoria moral em busca de um devir mais feliz, mais fraterno e pacífico.
