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Entrevista foto loucomotiv A reencarnação num tubo de ensaio Ian Steve

Jornal de Espiritismo nº 41 · Julho 2010Página 103 min

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Entrevista foto loucomotiv A reencarnação num tubo de ensaio Ian Stevenson* é o nome do cientista norte-americano que conseguiu transportar a ideia da reencarnação do nível de crença cultural para o patamar de evidência científica. Em 8 de Fevereiro de 2006 partiu, mas deixou vasto trabalho científico que é impossível ignorar. Tivemos ensejo de conhecer este investigador quando esteve em Abril de 2002 na Casa do Médico, na cidade do Porto, quando participou do certame Aquém e Além do Cérebro, organizado pela Fundação Bial.

Essa oportunidade, inicialmente fechado, receando decerto alguma incompreensão, depois da entrevista em particular referimos que nos correspondíamos com Hernâni Guimarães Andrade, um investigador de São Paulo, Brasil. Só então a sua face se abriu num sorriso aberto e disse em inglês: «Ele é uma pessoa muito simpática». Falar de Ian Stevenson implica explicar o seu trabalho, que se baseou na investigação minuciosa de milhares de casos de crianças, nos mais variados países, que se recordavam de supostas vidas anteriores.

Por isso, escolhemos aleatoriamente um caso que traduzimos de um livro vertido para o francês da autoria do psiquiatra norte-americano Ian Stevenson1. Pedimos a uma pessoa que não é espírita que o traduzisse e sintetizámo-lo para caber mais facilmente nestas páginas. Gopal Gupta Nascendo na Índia, em Deli, a 26 de Outubro de 1956, Gopal Gupta tinha como pais cidadãos de casta média inferior, com escassa instrução. Entrevistados, disseram nunca ter reparado antes em nada de particular em Gopal.

Até que, com menos de dois anos, o pai pediu a Gopal que retirasse da mesa o copo de um visitante. Gopal respondeu: «Não tocarei nesse copo, sou um Sharma» (os Sharmas são membros da casta superior na Índia, os Brâmanes). Após a afirmação, encolerizou-se e partiu alguns copos. O pai pediu-lhe que se explicasse. Gopal disse que morou em Mathura, uma cidade a 160 km de Deli; disse o nome da sua empresa, Sukh Shancharak; disse possuir uma grande casa e criados, esposa, tinha dois irmãos, tendo um deles morrido durante uma discussão.

Não pegara no copo porque um brâmane não toca em utensílios manipulados por um inferior. Ninguém na sua família tinha vínculos com habitantes de Mathura eamãe nunca o encorajou a falar sobre essa tal vida anterior; para o pai isso era indiferente. Até que, em 1964, por ocasião de uma festa religiosa, o seu pai foi a Mathura. Queria tirar a limpo as afirmações da criança. Procurou a empresa Sukh Shancharak (de produtos farmacêuticos) e explicou ao gerente a razão das suas perguntas.

O gerente ficou impressionado e confirmou que, em 1948, um dos dois donos da sociedade disparou contra o seu irmão, Shaktipal Sharma, que morreu a 27 de Maio de 1948 devido aos ferimentos. A família de Sharma foi posta ao corrente e alguns deles foram a Deli para ver Gopal e conversar. Convidaram-no para ir a Mathura. Gopal foi: durante a visita reconheceu pessoas e lugares onde Shaktipal viveu e trabalhou. Mostrou-se ao corrente dos negócios da sociedade.

Lembrava-se de como tinha tirado dinheiro à esposa para dar ao seu irmão. Esperava, ao dar-lhe dinheiro, acalmá-lo, mas o irmão tinha crises de fúria cada vez mais frequentes. O homicídio foi comentado na primeira página dos jornais locais. O comportamento de Gopal era de filho de gente rica. Recusava as tarefas de casa, inclusive comer no recipiente utilizado por alguém da sua família. Aproveitava todas as ocasiões para fazer sentir que era superior… Depois de 1965, Gopal não quis voltar novamente a Mathura.

Visitava duas irmãs de Shaktipal que habitavam em Deli. Os encontros entre as duas famílias cessaram. Gopal, a pouco e pouco, perdeu o seu feitio desdenhoso e adaptou-se à condição modesta dos pais… A investigação deste caso começou em 1965, na Índia. Ian Stevenson retomou-a em 1969 e esteve em contacto com a família de Gopal até 1974. Quem era Ian Stevenson? IAN STEVENSON nasceu em 31 de Outubro de 1918. O seu pai era advogado, de origem escocesa, John Stevenson.

A mãe era teósofa. Licenciado em Medicina, chefiou o Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, EUA, quando tinha 39 anos. Falar de Ian Stevenson implica explicar o seu trabalho, que se baseou na investigação minuciosa de milhares de casos de crianças, nos mais variados países, que se recordavam de supostas vidas anteriores. Nessa altura, a área da psicossomática fascinava-o. Gostava igualmente de bioquímica.

Apesar dessa paixão o seu percurso de vida levou-o a trocar, por exemplo, a análise de fígados de ratos de laboratório por entrevistas com crianças que diziam lembrar-se de… vidas anteriores.