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Consultório

Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 72 min

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Casos foto loucomotiv “CASO LURDES” Ouço vozes, sinto presenças no meu quarto, sou psicótica?! Essa questão, meio em tom interrogativo, meio em tom exclamativo, mas, quase numa tentativa de se convencer a si própria, foi-me colocada pela Lurdes, a discorrer acerca dos seus sintomas. Tratava-se de uma senhora de meia-idade, casada, que desde muito jovem dizia “ver os espíritos”. Segundo a mesma, já tinha percorrido muitos consultórios psiquiátricos e, tinha sempre ouvido o mesmo: “é uma psicose”.

Dizia que, mesmo sob efeito da medicação, continuava a ouvir as “vozes”, ver os “espíritos” e sentir a sensação de “presenças”, em especial no seu quarto. Segundo a Lurdes, as sensações eram tão intensas, que sentia como se estivessem a tocá-la e, por vezes, tinha a sensação que se sentavam na sua cama. Muito perturbada com o que sentia, recomendaram-lhe procurar ajuda num Centro Espírita. Relatou que o irmão tinha o mesmo tipo de sensações que ela e, procurou auxílio, melhorando dos sintomas, mas, ela não aceitou, referindo não ter afinidade pelas práticas espíritas, refutando esta possibilidade.

Cada vez pior dos sintomas, com mais ansiedade e mais desorganizada, procurou um psiquiatra particular que lhe prescreveu medicamentos antipsicóticos. A doente chegou à minha consulta muito sedada e referia: ”Estou mais calma,mas, continuo a sentir as mesmas sensações”. “Fico tonta quando tomo os remédios’. A doente estava a fazer uma dose excessiva de medicação para o seu problema. Quando lhe expliquei isso, a doente disse: “sou psicótica, ouço vozes, sinto presenças, sinto os espíritos a sentarem-se na minha cama, a dizerem- -me coisas, a chamarem-me nomes!

”, asseverando a sua resistência ao tratamento espiritual. Demonstrou que a sua própria negação ao processo mediúnico, reforçada pela ignorância médica, só alimentava o seu fenómeno obsessivo, num processo de alienação mental. O estado psicótico implica uma perda de contacto com a realidade, gerando um estado anormal de funcionamento psíquico. A Lurdes, nunca perdeu o contacto com a dimensão da realidade, apesar de ter um discurso pouco usual para os dois estudantes que assistiam à minha consulta, não poderíamos dizer que ela estava psicótica, estava em plena consciência de si.

Aceitou a sugestão de diminuição da sua terapêutica, mas, preferiu ainda manter o título de psicótica, do que se assumir-se como médium e ir tratar-se num Centro Espírita. Nestas situações, aconselha-se que o paciente mantenha a sua consulta de psiquiatria e não abandone a terapêutica do seu médico assistente, enquanto inicia o tratamento espiritual. Voltou após 3 meses, a referir que tinha ido ao Centro Espírita à procura de auxílio e feito tratamento espiritual.

Reconhecera a necessidade de amparo espiritual e iniciou tratamento desobsessivo. Foi acolhida uma entidade espiritual, antigo noivo (desencarnado) do presente, que exercia influência obsessiva. “CASO PATRÍCIA” E tudo parece ter sido ontem quando Neste Edição do Consultório resolvi contar dois casos da minha consulta que aconteceram recentemente. À medida que nos vamos abrindo para a vida espiritual, com o desejo sincero de sermos úteis, o Universo vai criando as oportunidades para darmos o nosso testemunho.

Trago aqui dois relatos, o 1.º retrata uma senhora que preferia ser doente psiquiátrica a ser médium. O 2º refere o sofrimento de uma jovem senhora que perdeu o seu marido num acidente de automóvel e perturbada por sonhos repetitivos procurou a psiquiatria. NOVEMBRO.