Fenomenologia
Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 84 min
foto arquivo Os mortos falam-nos Domingo, 28 de Abril de 2013, Óbidos, Portugal. O telefone tocou, número desconhecido. Lá atendi, sem grande vontade. Uma voz ansiosa perguntava: “É o Sr. Lucas?” A resposta tradicional, em jeito de brincadeira: “Não, o Sr. está no céu, é o Lucas”. A pessoa ansiosa, do outro lado da linha, era meu amigo do “facebook”, praticamente não nos conhecíamos pois só falámos uma vez num evento espírita.
Perguntou-me qual o meu nome completo, pois estava a assistir em directo às psicografias do médium brasileiro José Fernando Araújo, em Blumenau, Santa Catarina, Brasil (não fazia a mínima ideia de quem fosse o médium, ou este centro espírita, ou até a localidade), que são transmitidas em directo via internet em www.ceil.com.br, e que numa mensagem teriam falado em mim (http://www.youtube.com/ watch?feature=player_ embedded&v=9ieySfy0Z6U).
Eu não disse o meu nome, e perguntei - -lhe o que tinham referido. Ele informou-me que o nome referido era José Carlos Miranda Lucas (embora todas as pessoas me tratem apenas por Lucas, ou, aqueles que são mais cerimoniosos, por José Lucas). Confirmei o nome e fui à Internet ver a transmissão ao vivo, embora confesse que não é o tipo de actividade que me dá grande entusiasmo, a mediunidade pública (sem lhe retirar o valor, é claro).
Contrariado (risos...) lá fui, adentrei o “site” do CEIL, e constatei que havia várias informações numa mensagem, que eram correctas, acerca de mim e do Engº Hernani Guimarães Andrade, cientista espírita brasileiro já desencarnado. Quanto ao meu nome completo, ele figura no fim dos meus e-mails, pelo que qualquer pessoa poderia ter acesso a essa informação. No entanto, na psicografia (mensagem escrita pelo espírito através do médium) o espírito refere José Carlos Miranda Lucas (que era como o Engº Hernani escrevia nas sua cartas) e também José Lucas, que era como ele me tratava quando falávamos pelo telefone.
Acho pouco crível que o médium tenha uma equipe de investigação por trás, a apanhar estes pequenos pormenores, como o nome curto ou longo, pois teriam de investigar milhares ou milhões de e-mails ou conversas, tendo em conta a quantidade de comunicações recebidas por esse médium. A dada altura, na leitura da mensagem espiritual, por uma senhora do CEIL, ela refere uma passagem em que o Espírito diz que “aportou no aeroporto”.
Nesse momento, o médium pára de psicografar, roda a folha, e faz uma anotação de lado, dando ênfase ao que estava a escrever e, fazendo questão que o senhor ao seu lado passasse a informação. Depois da informação ter sido passada à senhora que lia as mensagens, esta referiu que afinal não era “aportei ao aeroporto” mas sim “... ao aeromorto”. O médium José Araújo não podia saber coisas que somente eu sabia e, apenas estavam na minha mente Este pormenor é muito importante, pois, embora não nos conhecêssemos pessoalmente, eu e o Engº Hernani falávamos muitas vezes ao telefone, principalmente pelo Natal e na data do seu aniversário.
Um dia perguntei-lhe quando viria a Portugal fazer conferências e ele respondeu com muita boa disposiçãoea rir: “Ah, Lucas, eu agora já não apanho mais o aeroporto agora só se for o aeromorto” e riamo-nos muito... Este facto aconteceu há muitos anos, cerca de uns 3 anos antes da data do seu falecimento (25 de Abril de 2003), portanto por volta do ano 2000, há 13 anos. Embora eu já tivesse referido este facto engraçado do Engº Hernani, numa ou noutra palestra, aqui em Portugal, e embora possam ter sido gravadas em áudio e colocadas na internet, seria uma probabilidade mínima que o médium ou a sua equipe pesquisassem tudo quanto vai na net, e conseguissem juntar os factos tão díspares e difíceis de concatenar, conhecendo o quase infinito espaço cibernético.
Quase impossível seria igualmente que o médium tivesse uma memória tão prodigiosa que, conseguisse lembrar-se de tudo e de todos os pormenores, nomes, etc, de inúmeras mensagens recebidas numa só noite. Presumo que o médium não tenha nenhum auricular ligado a uma “régie”, pelo menos não é visível, o que afasta a hipótese de fraude. Quando o espírito refere “quero enviar um abraço e fortes agradecimentos aos amigos de Portugal e por todas as homenagens” , eu já nem me lembrava disso, tendo sido alertado posteriormente que no ano de 2006, nas Jornadas de Cultura Espírita em Óbidos, Portugal, fizemos uma homenagem ao Eng.
Hernani, sua vida e obra, tendo NOVEMBRO.DEZEMBRO 2013 podia errar (o que não é crível) ou a comunicação é mesmo real. As manifestações espontâneas dos espíritos são uma prova da imortalidade do Espírito, que não se pode ignorar Pode-se igualmente colocar a questão da identidade do espírito, e de ser algum espírito mistificador que conseguisse coligir estas informações e fazer-se passar pelo espírito do Engº Hernani.
Não me parece que assim seja (embora somente o médium possa aferir que tipo de sensações boas ou más sentiu nesse momento), pois o estilo da mensagem, a maneira de se expressar, o humor de fino recorte, a gentileza das expressões, são tal e qual como quando o Engº Hernani estava encarnado. No mês seguinte, na mensagem ditada novamente pelo Engº Hernani G. Andrade, em 26 de Maio de 2013, o espírito referindo-se novamente a mim, diz que a nossa ligação já vem de muito longe e que no futuro haveria mais contactos.
