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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 133 min

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O neurocientista Francisco Varela comparou a nossa identidade a um tornado. “Nós e os tornados descobrimos uma peculiar maneira de ser na natureza que consiste numa combinação de ser e não- ser”, disse. É entre o ser eonão ser que se originam todos os tornados em nós. Sempre que escolhemos não ser, somos como um tornado. Por isso, psicologicamente falando, a vontade de se suicidar pode ser considerada normal.

Porém, torna-se um distúrbio se for causada por um motivo que não pertence ao nosso presente. Por exemplo, “eu quero suicidar-me porque não fui seleccionado para um emprego”. No fundo, a vontade de suicídio já existia e o emprego foi o pretexto. O suicídio parece ser solução quando existe: 1) uma mente tagarela: identificação excessiva com os nossos pensamentos; 2) culpa e mágoa: identificação excessiva com as nossas acções (realizadas no presente ou em vidas passadas) e seus resultados.

Devemos lembrar que os nossos pensamentos somos nós, mas nós não somos os nossos pensamentos. Que as acções são nossas, mas nós não somos só as nossas acções. “O pensamento e a vontade são para os espíritos o que a mão é para o Homem” (Kardec, in Revista Espírita, 1868). O pensamento manifesta-se na aura humana como os relâmpagos numa tempestade; basta que o espírito pense fixamente em algo para que a criação mental se forme no seu campo magnético.

Essa criação é fortalecida pelas emoções e sentimentos associados a esse pensamento. As emoções alimentam o pensamento que ganhará uma forma cada vez mais sólida até que uma acção magnética interior ou exterior (como a prece, o passe ou pensamentos opostos que anulem os pensamentos nocivos), contrarie essa tendência. Mas como observar o tornado quando estamos dentro dele? Como observar os nossos pensamentos e reconhecer a sua origem?

Há 2 coisas que podemos fazer: 1) Disciplina (esforço sobre si mesmo): Parar e regressar àquela que deve ser a nossa rotina diária de nos sentarmos em silêncio e simplesmente reconectarmo- nos connosco e com a inspiração de Jesus, focando o nosso pensamento nele. Este gesto tão simples de fazer silêncio em nós é o primeiro passo para o tornado começar a perder força. Sentimentos negativos como o cansaço espiritual, culpa, frustrações, ansiedades, solidão também resultam de falhas nas nossas disciplinas e práticas.

Essas práticas podem incluir uma leitura construtiva, ir ao Centro espírita, meditar, estar em contacto com a natureza, pedir ajuda ao nosso mentor espiritual, etc. Este gesto tão simples de fazer silêncio em nós é o primeiro passo para o tornado começar a perder força. 2) Reconhecimento e aceitação: Tal como Pedro que renegou Jesus por três vezes, também todos nós alternamos a sintonia entre os propósitos nobres da existência (espirituais) e os mundanos.

Suicídio, uma questão de pensamento Tanto o homicídio como o suicídio são abusos do livre-arbítrio. Assim, não devem ser atribuídos apenas a débitos reencarnatórios, mas também ao uso errado da vontade. Um dos princípios universais da existência humana é o da não-violência em relação aos outros, aos nossos comportamentos, pensamentos e corpo. Tudo o que vá contra este princípio é um atentado à auto-preservação. Todos os valores, toda a ética e todo o sentido de auto-preservação dependem do nosso livre-arbítrio.

NOVEMBRO.DEZEMBRO 2013 foto loucomotiv tervenções públicas erigiu o monumento ímpar das bem-aventuranças. Dissecou a crueza da lei de talião, demoliu o antropomorfismo da suposta ira dum deus dos exércitos e, arrebatador, exaltou o amor, perdão, compaixão, humildade; anunciou à Humanidade o Deus Pai de infinito amor, desejoso de misericórdia e não de sacrifícios, não da morte do pecador mas da sua conversão e vida. Jesus testemunhou a Verdade, demonstrou-a por palavras e actos: a Verdade imutável, eterna, que se confunde com o próprio conceito de Deus, com a justiça e justeza do Seu reino Jesus testemunhou a Verdade, demonstrou-a por palavras e actos: a Verdade imutável, eterna, que se confunde com o próprio conceito de Deus, com a justiça e justeza do Seu reino; a Verdade-Luz que liberta de qualquer forma de erro (mal, doença, discórdia, morte), extinguindo-as, e por acréscimo suprindo todas as necessidades.

Obviamente, o Mestre não se reportava a verdadezinhas temporais, relativas, parcelares, que de nada libertam; nem à “verdade” da moral contingente da efémera existência terrena. Referia-se à Verdade total da perfeição e harmonia cósmicas do Criador e sua Criação.