Opinião (pág. 14)
Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 143 min
Aproxima-se a quadra ímpar do Natal, que ainda hoje faz ecoar na Terra as dulçorosas vibrações de há dois mil anos, quando nasceu o divino Amigo. O decálogo recebido por Moisés para o Povo Hebreu, na verdade destinava-se a toda a humanidade coeva e vindoura, dado o carácter universal do seu conteúdo sempre actual e subjacente ao Direito das nações. Encerrava a profundeza e transcendência de “lei de Deus”, mas a Humanidade só entendia a superficialidade acessível à sua consciência de então: a imperatividade moral e civil dos mandamentos, escorada por sanções em rude forma de talião: vida por vida, olho por olho, dente por dente.
Fluiu o tempo; ao influxo providencial da Inteligência Suprema, cumpria-se a maturação evolutiva do Homem (e do Universo), e surge na Terra o ponto qualitativo de oportunidade sociocultural para o grandioso testemunho de Graça e Verdade prestado por Jesus. Moralidade impecável ressumou sempre da sua vida e ministério. Mas o Bom Pastor não agia como guardião da moral convencional do seu Povo, com ares de moralista: até admoestava a moral exibicionista da classe sacerdotal e afrontou com vigor a lei mosaica, naquilo em que ela exprimia não carácter cósmico, imutável, divino, mas humano e conjuntural.
Sem confundir o Povo, o sábio Rabi teve o cuidado de explicar que não derrogava a Lei mas a cumpria; que apenas revelava o sentido lato e subtil do seu teor e aplicação, ainda não entendidos; e que da mesma Lei não passaria um ápice nem um til sem que tudo se cumprisse (Mat 5.18) O manso Rabi, numa das primeiras inrelatividade do sensorial, imediato, foi o testemunho grandioso que o almejado Messias veio prestar. Sintonizado psiquicamente com a frequência energética da Verdade, Jesus, querendo, era livre, imune a qualquer limitação de leis conhecidas da matéria.
Operava o que denominamos milagres, e reiterou aos discípulos que também poderiam fazer tais prodígios e até maiores. Instruídos, ordenou um dia: “ide, curai enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos…” (Mateus 10.8). Com o testemunho da Verdade, o divino Amigo trouxe a Graça inerente. Verdade, Bem, Perfeição, aspectos essenciais do Pai Criador, por natureza doam-se às criaturas de graça, amorosamente, zelando-lhes por gradual e irreversível maturação.
Até que desperte a consciência da filiação divina de cada um: a consciência da Verdade que liberta de todas as limitações, extingue qualquer forma de erro ou mal, tal como a luz desvanece as trevas. A Graça nada cobra, não nos lança em rosto condescendências suas ou o nosso demérito; doa-se aos filhos eternamente amados, respeita-lhes o livre arbítrio. Eles podem adiar, retardar, a ditosa aceitação da Graça, não porém recusá-la, divinamente programados que estão para lhe aceder em plenitude.
Com Moisés, o estado evolutivo da Humanidade granjeou a letra da lei, qual moral disciplinadora a que se obedece por temor a infernos vários. Com Jesus, veio o suave jugo da Verdade e Graça de Deus-misericórdia, harmonia infinita, fardo leve abraçado não já por obediência mas por amor e renovação íntima. João Xavier de Almeida NOVEMBRO.DEZEMBRO 2013 “Da plenitude de Jesus é que todos recebemos graça sobre graça. Porque se a lei foi dada por Moisés a graçaea verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.
(João 1: 16,17). foto arquivo e do sentimento de culpa, aprendendo com eles em vez de sofrer por causa deles, crescendo assim em responsabilidade, dominando as más tendências e expandindo a compreensão de quem é e das enormes potencialidades da sua alma. Lembrar-lhe que a vida irá conspirar a seu favor quando, em vez de alimentar a desilusão por ter feito o que preferia ter evitado e em vez de se decepcionar por não ser aquilo que desejava ser, compreender a dimensão da sua pequenez e a imensa vulnerabilidade que ainda tem para errar, aceitando a responsabilidade pelas suas falhas e assumindo as suas culpas, lembrando sempre que todos somos do tamanho do caminho que já percorremos e das experiências que ultrapassamos.
A culpa doentia deseja modificar o passado, enleando-se numa prisão mental torturadora daquilo que “deveria ter sido feito”. A culpa saudável é pró-activa, humilde e responsável, estimulando à mudança e à construção de um futuro mais transcendente.
