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Opinião (pág. 15)

Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 152 min

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Infelizmente, nem sempre aquilo que eu faço vai ao encontro daquilo que eu gostaria de ter feito ou do que é certo fazer. Mas porque isto da Vida foi idealizado por quem sabe das coisas, quando tal acontece, uma consciência saudável fermenta os sentimentos de culpa apropriados para colocar em evidência o real tamanho dos meus equívocos. Quem é que nunca sentiu um desconforto íntimo de desilusão por ter errado, fracassado ou magoado alguém?

É um sufoco que nos aperta a alma, uma dor surda que faz minguar o coração, por nos reconhecermos capazes de muito mais do que os nossos comportamentos deixaram transparecer. Para aqueles que a não reconhecem, eis a desagradável sensação de culpa! Mas a culpa não é tão má como a pintam. Na verdade, a culpa “saudável” desperta-nos o discernimento, inibe muitos dos impulsos inaceitáveis e é ainda ela que, quando transgredimos, promove condutas sociais mais construtivas através do arrependimento, orientando a vontade de mudar e corrigir.

Ela revela uma capacidade superior para avaliar o próprio comportamento sem «desculpismos», assumindo a responsabilidade dos prejuízos das escolhas tomadas. Bem dirigida, é um cinzel delicado que apura o crescimento íntimo e nos orienta no caminho certo. Os principais problemas relacionados com a culpa revelam-se sobretudo quando não se sabe doseá-la e se cai no equívoco do excesso. Cristalizados na contemplação do passado e abalados pela constatação de que não somos tão bons como gostaríamos, floresce a vergonha e a repulsa sobre quem somos, intensificando a sensação de desespero, impotência e inutilidade.

Isto é também dramático porque nos deixa muito mais vulneráveis à chantagem emocional de quem não tem problemas em instigar a culpa para que a sua vontade prevaleça. Durante séculos, o Homem viveu constrangido pela maldição da imperfeição e pela vergonha do pecado, debatendo-se num conflito interior entre os seus comportamentos, as regras sociais e aquilo que as autoridades religiosas impunham como mandamentos sagrados.

Formatado por uma autocracia religiosa que motivava à purificação estimulando a culpa e que chantageava ameaçando com a ira divina, o Homem vivia massacrado pela vergonha de ser humano, dorido pela utopia da ascese e da perfeição bucólica, esmagado sob o peso de ideias cruéis como pecador, punição, sacrifício e penitência que tentavam mitigar a decepção de Deus diante de tanta imperfeição. Esta forma deturpada de pensar entranhou-se de tal forma ao nível subconsciente que hoje ainda existe uma certa propensão para acicatar a culpa e exaltar a expiação dolorosa como solução para as nossas falhas.

Infelizmente, ainda predomina a coacção que promove o medo. Como se o sofrimento e a culpa fossem a via irresistível para a transformação íntima, tantas vezes expressa nas ameaças que se ouvem por aí. Será que não temos nada melhor para oferecer? Para começar, nunca esquecer as palavras de Pedro: “O Amor cobre uma multidão de pecados.” Em vez de ameaças veladas e pouco veladas, o mais importante será orientar o indivíduo na descoberta da melhor forma de se libertar das garras da ignorância, do erro foto loucomotiv NOVEMBRO.