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Crónica

Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 153 min

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Depois mergulhava novamente e repetia tudo até a minha mãe se fartar dessa minha estratégia para poder ficar mais tempo na água. Agora, quando vejo nuvens de perto, apetece-me fazer o mesmo, qual reminiscência da infância. Felizmente, as nuvens evocam-me uma boa lembrança, mas também podia dar-se o inverso. O mesmo acontece com as recordações das vidas passadas. Explica-nos Yvone A. Pereira que podemos ter reminiscências do passado sem saber que elas são o passado espiritual a manifestar - -se timidamente nas nossas faculdades.

E esta é apenas uma das muitas situações em que é útil ter conhecimento sobre Espiritismo. A recordação do passado pode, como ensinou Bezerra de Menezes, ser uma faculdade mediúnica com dois lados e ambos podem ser trabalhados. Num caso, pode assemelhar-se a uma obsessão – com ou sem um espírito desencarnado – que provoca uma grande tristeza, um grande desânimo que atinge quem recorda, emprestando um véu triste a toda a existência da pessoa.

Noutro caso, aqueles que recordam as suas vidas passadas não padecem de qualquer desequilíbrio e têm positividade, vitalidade, intensidade vibratória e uma sensibilidade intensa. Yvone A. Pereira conclui que recordar o passado reencarnatório é uma faculdade que, no caso de ser mediúnica e se educada, não trará problemas na vida de quem recorda. Essa faculdade é instrumento de evolução e é assim que devemos olhar para ela, sem fascinação ou submissão.

Para isso, é útil reconhecermos que na mesma medida em que seguramos o passado, ainda que velado, também o podemos soltar, deixando-o cair como um objeto na mão. Claro que o problema é que o passado também nos segura e ficamos impotentes. Quando isso acontece, parece que nóseo passado somos um só e sujeitamo-nos à dor, à culpa, ao sofrimento com ou sem associação à nossa vida atual. O certo é que ficamos associados a essas memórias, algumas das quais podem não ser nítidas, mas impedem-nos de tirar o passado da mente.

O que fazer, então, quando aquele que aprisiona e o próprio aprisionado são idênticos? Temos de recorrer a nós mesmos e/ou a Deus, trazendo-o para a nossa vida. Sabemos que há incertezas sobre os nossos anseios e desejos, que há limitações na nossa vontade, conhecimento e recursos. Este reconhecimento em si mesmo revela um grau de maturidade. Busquemos, então, uma maturidade adicional pela invocação do Infalível, pela invocação da graça de Deus para aceitar o que não podemos mudar.

As nossas tristezas, agitações, anseios originam-se, muitas vezes, da nossa inaceitação e incompreensão do passado. Então, a prece, a invocação da graça e entrega a Deus, é o que efectua a mudança que permite que o passado se vá. Na entrega está o reconhecimento. Estabeleço esse relacionamento fundamental com o Senhor através da prece. Quando eu era criança, recorria à minha mãe ou pai sempre que precisava de ajuda. Agora, adulta/o recorro à fonte de tudo.

Livremente, vou à fonte. E oro por força e clareza para aceitar alegre e simplesmente o que não posso mudar. Não responsabilizo ninguém, nem mesmo a mim própria/o e deixo o passado partir, lembrando o que disse o instrutor espiritual a Kardec: “Sempre é possível, a quem quer que seja, subtrair-se a um jugo, desde que com vontade firme o queira”. Aceitar algo é dar liberdade para ser o que é. Aceito as nuvens como elas são, quer elas me causem sofrimento ou me alegrem com a imagem de me rebolar nelas.

Como aceito as nuvens? Não as culpo por não poder saltar pela janela do avião para fazer croquetes. Assim, a disposição para aceitar o passado é aquela que se obtém ao receber alguma coisa alegremente. Ou quando imagino um céu à noite iluminado pela lua e muitas estrelas. Não quero que o céu seja diferente. Nem quero que o meu passado seja diferente. É aqui que foto loucomotiv Podemos ter reminiscências do passado sem saber que elas são o passado espiritual a manifestar-se timidamente nas nossas faculdades.

Eu queria fazer croquetes nas nuvens. Ela, com os seus 10 anos, quis tirar fotografias para o Facebook. Perante o olhar incrédulo, expliquei-me: quando era criança, saía do mar e atirava-me para a areia rebolando até ficar como uma croquete. SETEMBRO.OUTUBRO.