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Crónica (pág. 15)

Jornal de Espiritismo nº 67 · Setembro 2014Página 153 min

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Ao ocupar-se das causas dos fenómenos, estruturou a Ciência Espírita, que buscava desvelar a causa oculta ou invisível, e a partir desta constituiu-se a Filosofia Espírita. Desta forma, «O Livro dos Espíritos» é uma obra filosófica que parte das causas primeiras, à semelhança de Descartes, que descreveu as três substâncias a partir das causas primeiras. Tal raciocínio lógico revela - -se na Codificação como sui generis , na medida em que a exigência dos fatos constituiu toda uma teoria.

Os homens da sua época exigiram de Kardec que a sua palavra fosse clara e concisa, daí a simplicidade da obra. Não se revela como codificador, mas como coadjuvante de uma obra que escreveria por si mesmo e de que faria parte no futuro. A sua obra é fortuita e engrandecida pelos Espíritos que vieram à Terra, e foi denominado como filósofo druida a sua época. Estudioso e metódico revelou grande sabedoria ao escrever a teoria dos Espíritos, formulando axiomas e corolários que lhe eram revelados pela pátria espiritual.

Dedicou-se assim à filosofia espírita, na sua época bastante debatida, dada a controvérsia de espíritos partidários de axiomas científicos que ficariam inalterados. Henri Sausse, em 31 de março de 1896, por ocasião do 27.° aniversário do decesso de Allan Kardec, traz o seguinte perfil do sábio educador: “Pensador arrojado e metódico, esse filósofo sábio, clarividente e profundo, trabalhador obstinado cujo labor sacudiu o edifício religioso do Velho Mundo, e preparou os fundamentos que serviriam e base à evolução e à renovação de nossa sociedade caduca, impelindo-a para um ideal mais são, mais elevado, para um adiantamento intelectual e moral seguros.

” Efetivamente, o referido autor cita Kardec como filósofo e não como codificador apenas, o qual preparou as bases que dariam início a um processo de transformação da humanidade. O seu Espírito protetor Z. deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos druidas, viviam junto na Gália. Kardec tinha afinidade pessoal com os Espíritos que se comunicaram na Codificação, isto demonstra a sua autoridade moral e intelectual, não podendo ser considerado apenas como revelador passivo da Doutrina dos Espíritos.

O fato de ser druida não significa apenas que Kardec pertencia a sociedade celta, mas que era reconhecido pelos seus conhecimentos filosóficos e portanto dotado de sabedoria. Daí se depreende a magnitude de seu Espírito. Teve convivência com a filosofia à sua época, pois traduziu para o alemão as obras de Fénelon, filósofo francês do séc. XVII, e um dos autores de mensagens de «O Evangelho segundo o Espiritismo». Escreveu uma crítica a Hegel, filósofo alemão da sua época, na «Revista Espírita», o que não seria possível sem a compreensão do seu pensamento, considerado como um dos mais complexos da história da filosofia.

Kardec exaltou ainda o Positivismo como uma exigência da sua época, embora o superasse em direção ao Racionalismo, também tendência filosófica do Iluminismo. Por Positivismo entende-se doutrina filosófica segundo a qual o conhecimento autêntico é apenas o de natureza observável, e Kardec respeitou essa tendência, partindo rigorosamente dos fatos para então compor a teoria. O Racionalismo, por sua vez, consiste num sistema filosófico, segundo o qual o verdadeiro conhecimento se dá a priori, a partir de princípios lógicos.

Kardec respeitou ambas as conceções de sua época, partindo de uma realidade empírica, compondo a ciência espírita, a qual abalizou a filosofia espírita, pautada toda sobre a lógica, o grande critério dado pelos Espíritos. Não poderia fazê-lo sem conhecimento de gnosiologia, ou seja, a parte da filosofia que se ocupa da estruturação e os métodos da ciência. Estudou e conheceu Lógica para dar aulas de gramática e matemática; tanto conhecia Lógica que os seus textos têm um encadeamento lógico, desenvolvifoto loucomotiv Estudioso e metódico revelou grande sabedoria ao escrever a teoria dos Espíritos, formulando axiomas e corolários que lhe eram revelados pela pátria espiritual.

Kardec estruturou a terceira revelação, partindo dos fatos, dos fenómenos mediúnicos, os quais revelavam uma causa inteligente. NOVEMBRO.DEZEMBRO.