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Reportagem

Jornal de Espiritismo nº 67 · Setembro 2014Página 83 min

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Umcaminhonomovimento espírita em Angola “Eu vou trabalhar em Angola com Cristo Jesus no coração. A paz é minha bandeira, o amor é minha meta. Eu vou trabalhar no planeta com Cristo Jesus no coração. Eu vou trabalhar no universo com Cristo Jesus no coração. Eu vou trabalhar na SEAKA (Sociedade Espírita Allan Kardec de Angola) com Cristo Jesus no coração. A paz é minha bandeira, o amor é minha meta”. Outrora um grande pólo industrial, a localidade onde a Casa do Caminho está hoje apresenta bem os efeitos dos 30 anos de guerra que fustigaram Angola.

A vila foi um dos destinos que mais acolheram populações deslocadas provenientes de várias províncias do país. Hoje acolhe 2 milhões de habitantes. Como tudo começou Amélia Cazalma, natural de Benguela e com 54 anos, e Trajanno Nankova são o casal que começou a SEAKA e a Casa do Caminho. Conheceram o Espiritismo em 1996. “Tudo começou com um projeto de 3000 livros que eu, o Trajanno e outros escritores angolanos, apresentámos ao Governo com o objetivo de que as verbas revertessem a favor da terceira idade”, conta Amélia Cazalma, presidente da SEAKA, membro do Conselho Espírita Internacional e coordenadora executiva no Ministério de Hotelaria e Turismo.

“Nessa altura já fazíamos várias preces, ainda sem conhecer «O Evangelho Segundo o Espiritismo». Cerca de um mês depois da apresentação desse projeto, um membro do Governo telefonou-nos dizendo que tinha uns livros de uma doutrina espírita e que gostava que nós os lêssemos. Eram as obras de codificação de Kardec, incluindo as «Obras Póstumas». Li os 6 livros numa semana e só pensava ‘meu Deus, afinal o que eu penso está escrito’”, acrescenta.

Não desisti e, como psico - -pedagoga que sou, desenhei um programa curricular baseado na doutrina espírita. O passo seguinte foi tentar contactar Juvenal de Souza, presidente da Federação Espírita Brasileira na altura, mas não conseguiram. “Não desisti e, como psico - -pedagoga que sou, desenhei um programa curricular baseado na doutrina espírita. Foi ao estudarmos o 1º capítulo do «Nosso Lar», em que é dito ‘oh! Amigos da Terra suai agora para não chorardes depois’, que a ideia de criar a Casa do Caminho nasceu.

Ainda hoje a nossa metodologia é estudar cada livro de capa a capa”. Mas até a Casa do Caminho estar em funcionamento, a atividade social da SEAKA iniciou ainda no apartamento de Amélia em Luanda onde começaram, numa semana, a distribuir 100 sopas, na semana seguinte 300, até ultrapassarem as 1000 no mês seguinte. Hoje, para além do pólo de Luanda onde têm estudos semanais de psicologia à luz do Espiritismo, ainda no mesmo apartamento, têm reuniões de estudo e mediúnicas também na cidade do Kilamba-Kiaxi, a 20 km de Luanda.

Em 1999, Amélia conseguiu que o Governo lhes doasse uma área de 42 hectares, onde É com esta música que se iniciam muitos dos trabalhos na Casa do Caminho André Luís, a obra de assistência social da SEAKA, situada em Viana, a 20 km de Luanda e cujo trabalho se estende até à província de Kwanza Norte. NOVEMBRO.DEZEMBRO.2014 um laboratório de imagiologia. A sala de palestras enche para ouvir Jacinto que hoje falará sobre o tema do «Casamento e a Cultura do Diálogo», capítulo do livro de Alberto de Almeida.

Depressa, cada um dos presentes irá partilhar, de forma mais ou menos adequada, várias histórias de violência familiar que lhes são próximas. Enquanto uns se riem dos episódios contados, Jacinto esforça-se por encaminhar quem ouve e fala sobre os livros de Kardec e sobre a assistência na Casa do Caminho. Visitamos depois o setor de formação profissional que, de momento, é a grande prioridade de Amélia e de Trajanno, já que deixou de funcionar, mas a sua revitalização permitirá o autofinanciamento e sustentabilidade da Casa do Caminho.

O setor de formação profissional abrange as áreas de informática, cantina, padaria e pastelaria, serralharia, carpintaria e serigrafia. Atualmente, a Casa forma cerca de 850 alunos, e faz alfabetização de adultos à noite. O principal problema com que a clínica se debate por estes dias é o fornecimento de vacinas, pois o Ministério da Saúde tarda e, por vezes, falha no compromisso de as doar. À volta de toda a Casa, estende-se uma larga área de mata onde se destacam os embomdeiros.