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Reportagem (pág. 9)

Jornal de Espiritismo nº 67 · Setembro 2014Página 94 min

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já existe uma série de infraestruturas e construções com equipamentos prontos a serem utilizados. A Casa É Jacinto, um dos trabalhadores da Casa, quem nos faz a visita guiada à propriedade, inaugurada a 4 de agosto de 2008 por João Baptista Kassumuwa, ministro de reinserção e assistência social do Governo de José Eduardo dos Santos. Amélia é cautelosa ao falar deste apadrinhamento governamental à Casa do Caminho.

“Todos temos de ‘pagar os nossos pecados’”, comenta apenas. O projeto tem como prinicipal financiador uma instituição do Brasil, mas conta com apoios de empresas petrolíferas, ou outras como a Sonangol e o Porto de Luanda. Curiosamente, Amélia considera que os seus colegas no Ministério aceitam bem a doutrina espírita. “Tudo depende da forma como é transmitida. Rejeitamos totalmente a ideia de que o espiritismo é uma religião e enfatizamos as suas vertentes de ciência e filosofia com consequências morais”, defende.

Acompanha-nos também Vixía, uma das meninas que ali vive e que se abraçaanós com grande entusiasmo. Na zona residencial é onde todos dormem e vivem (incluindo Amélia e Trajanno que passam ali os seus finais de semana, sendo que Trajanno trabalha a tempo inteiro na Casa do Caminho). Nessa zona, a organização das pessoas é a de uma família real “com o objetivo pedagógico de trabalhar os laços familiares nestas pessoas desprovidas de uma”.

O projeto ainda não tem todas as áreas concluídas, mas inclui vila residencial, creche, jardim infantil, áreas de formação académica e profissional, de saúde, fruticultura. Têm até um telescópio para o grupo de estudos de Cosmologia. “Aliamos sempre o ensino científico à dimensão moral da doutrina. Estudar o cosmos, por exemplo, é uma excelente maneira de ensinar sobre o orgulho, pois vemos o quão pequenos e insignificantes somos perante a criação do universo”, explica Amélia.

Seguimos, depois, para a clínica onde um bebé nascido há um dia contrasta com o ar cansado da sua mãe, uma das auxiliadas pela Casa do Caminho. O principal problema com que a clínica se debate por estes dias é o fornecimento de vacinas, pois o Ministério da Saúde tarda e, por vezes, falha no compromisso de as doar. A Clínica Dr. Agostinho Neto, em homenagem ao primeiro presidente da República de Angola, conta com 55 camas, serviços de urgência, análises clínicas, saúde pública e maternidade, e nela já nasceram cerca de 3,5 mil crianças.

Desde que foi criada, já atendeu mais de 3 mil pessoas, atendendo uma média de 300 doentes por dia. Apesar de ser um posto médico privado, não cobra dinheiro pelo atendimento. Avisos de que “é proibido pagar pelo atendimento” estão espalhados pelas recepções da clínica e, nas salas de espera, são mostradas, em circuito fechado de TV, palestras de Raul Teixeira e Divaldo Franco. Um detalhe importante é o trabalho de educação para a saúde que também é feito na clínica.

“Privilegiamos os temas da maternidade e planeamento familiar que, aqui, causam muitos problemas de saúde a mulheres e crianças”, informa Jacinto. Passamos pelo Laboratório de Fitoterapia, uma das maiores apostas da Casa e de Trajanno em particular. Os técnicos vão ao Brasil ter formação e agora têm o projeto de estudar as plantas autóctones de Angola e as suas propriedades medicinais, mas cuja aplicação será sempre conjugada com a medicina convencional, explicam.

Em funcionamento parcial, estão as unidades de cirurgia com três blocos operatórios, e fotos tviceb foto http://www.freewebs.com/seakaangola/ para além das hortas que querem fazer, pretendem deixar o ecossistema tal como está, pois também tem características únicas que importa preservar. “Aqui ninguém mata um animal. Promovemos o respeito mútuo. Se aparece uma cobra deixamo - -la seguir o seu caminho e incutimos nas nossas crianças esse respeito pelo vida”, explica Amélia.

O Espiritismo em Angola Foi em 1971 que Divaldo Franco esteve, pela primeira vez, em Angola. Desde então, o movimento espírita no país cresceu, mas não muito. Tendo 14 vezes mais o tamanho de Portugal, Angola conta apenas com 4 centros espíritas: 3 deles em Luanda e todos com postos de assistência social, e um outro em Huíla, no Lubango, a sul de Angola. Recorde-se que o Cristianismo no território que se chama hoje de Angola remonta a 1490, por via dos missionários católicos.

A igreja católica terá iniciado a sua atividade em Angola na década de 1850, com maior incidência no Norte e Centro. Tanto a igreja católica como a protestante têm, hoje, várias denominações e congregações. A partir de 1980, com a entrada de muitos expatriados oriundos da África Ocidental, o islamismo ganhou bastante presença no país. Porém, em 2013, o Governo angolano terá elaborado uma lista (não divulgada oficialmente) com cerca de 200 seitas religiosas consideradas ilegais e proibiu-as de atuar no país.

O islamismo foi uma das religiões banidas por decreto. Por Filipa Ribeiro NOVEMBRO.DEZEMBRO.