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Atualidade Maio.junho.2016

Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 125 min

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ATUALIDADE MAIO.JUNHO.2016 não traz bons resultados. Veja o ciclo da água: a água que existe no planeta é a mesma desde sempre, ora no estado gasoso, líquido ou sólido. A água doce é realmente escassa: restringe-se a cerca de 2,7% de toda a água existente na Terra. Basicamente a água da chuva vem do mar no estado gasoso. Ao chegar a ter- ra pode arrefecer. Se isso acontece vai cho- ver. A água potável é um bem extremamen- te escasso na maior parte do planeta Terra.

Se há bosques nativos bem conservados, estes funcionam como esponjas vivas de elevada capacidade que retêm e purificam a água potável e vão-na soltando paulati- namente pelas fontes mais abaixo, nas al- deias, à medida que a força da gravidade a faz descer rumo ao mar novamente. Há também o ciclo do carbono e dos nutrien- tes… Atitude: aprender pela dor ou pelo amor? David Brower, ecologista norte-americano, compara a idade da Terra ao período de uma semana: «Tomemos os seis dias da semana para representar o que de facto se passou em 5 biliões de anos.

O nosso planeta nasceu numa segunda-feira, às 00h00. A Terra formou-se na segunda, terça e quarta-feira até ao meio-dia. A vida começa quarta-feira ao meio-dia e desen- volve-se em toda a sua beleza orgânica du- rante os 4 dias seguintes. Somente às 16h00 de domingo é que os grandes répteis aparecem. Cinco horas mais tarde, às 21h00, quando as sequóias brotam da terra, os grandes répteis desa- parecem. O homem surge só 3 minutos antes da meia-noite de domingo.

A ¼ de segundo antes da meia-noite, Cristo nasce. A um quadragésimo de segundo antes da meia-noite, inicia-se a Revolução Industrial. Agora é meia-noite de domingo, e estamos rodeados de pessoas que acreditam que aquilo que fazem há um quadragésimo de segundo pode durar indefinidamente». Se não sabia vai ficar a saber – espiritismo e ecologia são dois sistemas de conhecimento que surgem ombro a ombro na história da humanidade.

Dá que pensar, não é? A Agência das Nações Unidas para a Ali- mentaçãoea Agricultura (FAO) afina o dia- pasão. Declara, realista: «Assegurar o aces- so mundial à alimentação, face ao impacto das mudanças climáticas, deve ser um dos maiores desafios deste século. Atualmen- te 850 milhões de pessoas passam fome no mundo. Dessas, 820 milhões vivem em países em desenvolvimento, que também serão os mais afetados pela mudança no clima».

Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, na questão 705, lê-se: «Por que nem sem- pre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?». «É que, ingrato, o homem a despreza. Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se.

Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que pode- ria ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto. Acha sempre de que viver, porque não cria para si necessi- dades fictícias. Desde que haja desperdi- çado a metade dos produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encontrar no dia se- guinte e para se queixar de estar despro- vido de tudo, quando chegam os dias de penúria?

Em verdade vos digo, impreviden- te não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver». O valor das contribuições pequenas Tais reflexões levam inevitavelmente a que realize uma autocrítica relativa às altera- ções que pode fazer nos seus hábitos di- ários. Conhecido e respeitado nos estudos de fi- losofia, Kant era tão certeiro a sair de casa para o trabalho que quem desejasse podia acertar o relógio ao observá-lo.

Ele acredi- tava que quer o nosso comportamento fos- se maioritário ou não, deveria ser exemplar, a ponto de se poder converter em regra. Faz sentido. Agir corretamente, ensina o espiritismo, não precisa do policiamento, aplauso ou observação de alguém para que seja realizado. No evangelho, Jesus de Nazaré deixa a ideia de que o que parece pouco pode ser muito, como se depreende da passagem do óbolo da viúva. Há uma frase atribuída a Francisco Cândi- do Xavier que reflete bem esta ideia: «Ne- nhuma atividade no bem é insignificante.

As mais altas árvores são oriundas de mi- núsculas sementes». O conhecido médium numa entrevista dada à imprensa terá tam- bém dito: «Acontece que estamos agredin- do não a natureza, mas a nós próprios, e responderemos pelos nossos desmandos. É importante pensar que se criou a eco- logia para prevenir estes abusos. Aqueles que acreditarem na ecologia, acima dos seus próprios interesses, auxiliar-nos-ão nessa defesa do nosso mundo natural, da nossa vida simples na Terra, que poderia ser uma vida de muito mais saúde e de muito mais tranquilidade se respeitásse- mos coletivamente todos os dons da na- tureza.

Mas, se continuarmos a agredi-la demasiadamente, o preço será pago por nós próprios, porque voltaremos em novas gerações, plantando árvores, acalentando sementes, modificando o curso dos rios, despoluindo as águas (…) e criando filtros que nos libertem da poluição». Agir bem, por mais pequena que seja a circunstância, é somatório na consciência que se tranquiliza e regenera, sobretudo quando marcada por um passado que su- gere retificação.

Num outro livro de Allan Kardec, «A Géne- se», no capítulo XlV, está bem expressa uma ideia de interatividade universal: «12 - Assim, tudo no Universo se liga, tudo se encadeia; tudo se acha submetido à gran- de e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade até à mais pura espiritualidade». Que tal? Já pensou como é bom mudar para melhor? Bibliografia: «O Livro dos Espíritos», Allan Kardec | «Espiritismo e Ecologia», André Trigueiro | «Ecologia na Obra de Chico Xa- vier», André Trigueiro, https://youtu.

be/ EfMDu3GsUgY | «Depois da tempestade», Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco | https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia | https://www.fao.org.br/sustentabilidade. asp | «Nature», vol. 486, 7 june 2012, Ap- proching a state shift in Earth’s biosphere.