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Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 76 · Abril 2016Página 144 min

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Licenciaturas em Espiritismo? Allan Kardec, enquanto pesquisador e codi- ficador da doutrina espírita, foi um educador na verdadeira acepção do termo. Por isso, ele mais que ninguém defendia que as so- ciedades espíritas (atuais centros espíritas, entenda-se) fossem locais de encontro e de- bate de ideias espíritas. As portas devem estar abertas a todos aqueles que desejam apren- der mais. E aqueles que já adquiriram alguns conhecimentos devem, por isso, partilhá-los com os restantes, sempre numa perspectiva de autoaprendizagem e não de “quem já sabe tudo”.

Parece-nos que esta atitude faz toda a diferen- ça quando comparamos o ideal espírita com outros ideais cristãos. O espiritismo não pre- tende impor nada a ninguém, isto é certo! Mas também não se deixa contagiar com ideias novas, muitas vezes absurdas de quem, sem o devido estudo, “mistura tudo no mesmo saco”. Assim, concordamos que os centros espíritas devem educar com base nos ensinos de Je- sus e dos Espíritos, que ditaram a Kardec as respostas que precisávamos, para alcançar mais rapidamente a perfeição moral.

O que não significa que não se discutam opiniões de outros espíritos e de outros homens que tam- bém eles desejam o bem. Por tudo isto, os centros espíritas, e bem, têm estudos do espiritismo a que deram o nome de cursos. Estes cursos, propostos pelas fe- derações espíritas, estão sujeitos a rigorosa avaliaçãoetêm como objetivo o estudo apro- fundado da codificação espírita. Se assim não fosse, e tendo em conta os diferentes “pontos de vista” de cada diretor de um centro espíri- ta, ao fim de uns anos teríamos várias visões diferentes de espiritismo, correndo-se o risco de no futuro se instalar a confusão de conhe- cimentos e a completa deturpação de concei- tos.

Não deve ser objetivo do centro espírita administrar licenciaturas, mestrados ou doutoramentos em espiritismo. O ideal espírita visa a uniãoenão a divisão! Porque existe cada vez mais a necessidade de desenvolver conceitos, de esclarecer com rigor e de exemplificar sempre que necessá- rio, estes cursos são cada vez mais extensos. Sabemos que há cursos de espiritismo, em centros espíritas com a duração de 3, 4, 5 ou mais anos de duração.

Temos também conhecimento que em deter- minados centros espíritas, um “aluno” desses cursos, só pode tornar-se colaborador nas ati- vidades do centro, depois de terminar os ditos 3 anos de curso básico. Este curso, muito bem estruturado, onde não faltam as unidades cur- riculares e os momentos de avaliação, mais se assemelha a um curso universitário. E como dissemos, compreendem-se bem os seus objetivos, porém há questões pertinen- tes que não podemos ignorar: como se sentirá a frequentar o primeiro ano do curso o “alu- no” que há dez anos lê, estuda e investiga a doutrina espírita, que já leu a codificação e outros mais livros de interesse, sabendo que sem frequentar aquele curso, não pode contri- buir com o seu conhecimento?

Vai manter-se a estudar o que já sabe ou desiste? Como se sentirá o “aluno” que buscou o centro espíri- ta para perceber o que se passa com a sua mediunidade latente e deseducada, e lhe di- zem que antes de falar sobre mediunidade o esperam 3 ou mais anos a falar sobre Deus, os Espíritos, a reencarnação, etc.? Ele fica ou desiste? E aqueles “alunos” que precisam de perceber o essencial, que anseiam por respos- tas simples e diretas às suas dúvidas existen- ciais, e convidados para frequentar um curso de vários anos, como se sentirão?

Ficam ou desistem? Já ouvimos dizer em vários centros espíritas: fica quem realmente deseja aprender. Ora bem, nisto estamos em desacordo. Por- que o centro espírita não deve ter como ob- jetivo formar cidadãos, nem administrar cur- sos com curriculum tão dogmáticos que não permitem o respeito pela individualidade de cada alma, não pode permitir-se a deixar um só “aluno” que seja afastar-se sem estar devi- damente esclarecido.

Não deve ser objetivo do centro espírita ad- ministrar licenciaturas, mestrados ou dou- toramentos em espiritismo. Por uma razão que todos entendem: não é o conhecimento intelectual que permite a evolução moral do homem, mas sim o seu esforço em combater o egoísmo, sendo paciente, humilde, fraterno e amoroso. Até porque existem tantos estudio- sos do espiritismo, com décadas de estudo afincado e que se mostram presunçosos, ego- ístas e desonestos nas coisas mais simples da vida diária.

Estes “alunos” sui generis necessitam de atenção especial. E o centro espírita deveria estar atento a isto. Os cursos prolongados de- veriam destinar-se exclusivamente para aque- les que desejam aprofundar conhecimentos e participar na sua divulgação. Para aqueles “novatos”, curiosos e ansiosos por saber o fundamental, sugeríamos um ciclo de deba- te com um curriculum a prosseguir, mas sem ser totalmente fechado (para dar hipótese de investigar em grupo assuntos de interesse), e de curta duração (nunca mais de 6 meses).

Abordar todos os princípios do espiritismo, em poucos meses, de forma a cada um per si, decidir-se a estudar como deseja: no seu lar ou no centro fazendo os cursos. Nestes ciclos de estudo, podem os seus orientadores averi- guar sobre o conhecimento de cada um dos educandos e de quais as suas intenções. Mas, como é óbvio, estes ciclos não seriam precisos, se as palestras semanais nos cen- tros espíritas fossem de debate e não de mera exposição de temas.

Porém, compreendendo- -se a dificuldade dos palestrantes de mediar debates, deixamos a sugestão em aberto para a análise de todos. Texto: Regina Figueiredo A educação é a “pedra-chave” no aperfeiçoamento do espírito. Pela educação, o espírito toma conhecimento do que é a vida, de onde vimos e para onde vamos, questões essenciais que todos os seres, em determinado momento da sua existência, colocam em busca de esclarecimento.