enhor Manuel Alves da Cunha (espírito), conceituadísimo Vigário-geral
Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 174 min
enhor Manuel Alves da Cunha (espírito), conceituadísimo Vigário-geral da arquidiocese de Luanda falecido em 1946, a qual fora recebida psicograficamente por Divaldo durante a sua estadia em Luanda. O seu teor, fanaticamente tomado pela Pide como subversivo e hostil a Portugal, enfureceu os zelosos guardiães da segurança do Estado. O caso gerou enorme celeuma em Luanda, ocasionando interrogatórios e intimidações da Pide.
Mas a atmosfera social, em Angola, já amadurecera o suficiente para favorecer o Espiritismo com uma sã curiosidade e muitos novos adeptos, por todo o território (o mesmo sucedera na colónia de Moçambique, também visitada com o melhor êxito por Divaldo Franco durante bastantes dias, no mesmo Agosto de 1971, no seu percurso para Angola).
Entretanto amanheceu o revolucionário dia 25 de Abril de 1974, que derrubou a ditadura em Portugal, com as suas tirânicas proibições e interdições extensivas às colónias. A convite do autor, em nome dos espíritas luandenses, Divaldo Franco visitou de novo Angola em 1975, de 26 de Fevereiro a 10 de Março, com maiores auditórios, sem impedimentos nem temores. Foi até possível obter das autoridades o privilégio de o acolhermos como passageiro vip, no aeroporto de Luanda.
O devotado orador e médium fez palestras de grande êxito espiritual nas cidades de Luanda, Novo Redondo, Lobito, Benguela, Lubango, Huambo, Dalatando e novamente Luanda, empolgando invariavelmente os auditórios, fomentando a cultura espírita dos ouvintes.
Chegou a estar em estudo a institucionalização do Espiritismo em Angola, cujas diligências preliminares não deixaram de tropeçar em vestígios activos do colonialismo, ainda semi-instalado. Entretanto decorria o conturbado processo de descolonização, cheio de incertezas e receios para a população em geral. O ano de 1975 viu uma debandada em massa, precipitadamente, com movimentada ponte aérea para Portugal e alguns voos para o Brasil, até 11 de Novembro, dia da independência festivamente proclamada em Luanda.
Depois dessa data o êxodo prosseguiu, muito menos caudaloso mas quase ininterrupto. Daí resultou inevitavelmente a desarticulação do incipiente movimento espírita em Angola, com uma quebra nunca total mas próxima disso. Todavia, a farta sementeira de Divaldo e o labor de todos os pioneiros de modo nenhum se perderam: os espíritas idos de Angola e Moçambique aderiram naturalmente ao movimento espírita em Portugal e com o tempo foram atingindo nele posições de relevo e responsabilidade, contribuindo notoriamente para o seu incremento por todo o País.
Quase um ano após a independência, em Outubro de 1976, muito pouco restava dos grupos espíritas luandenses. Seis ou sete companheiros persistentes e esperançados no futuro, reuniam semanalmente, uma ou duas vezes consoante as possibilidades, em casa de um deles. No primeiro fim de semana desse mês, o autor destas memórias, sem então ainda o saber, participou num dos seus derradeiros actos com o pequeno grupo; foi uma tríplice
comemoração, muito singela mas muito sentida, que constou de simples leituras em comum e palestras informais, alusivas a três efemérides: o 172º aniversário do nascimento de Allan Kardec, o 8.º da desencarnação de Maria de Oliveira e o 750º da desencarnação de Francisco de Assis. Inesperadamente, antes do fim desse mês, o autor viu-se compelido a também rumar de vez para Portugal.
No Lobito, bairro da Restinga, após o grande êxodo
de 75, o Grupo Espírita Estrela do Mar, mantevese activo apesar de muito reduzido, até 1981; nesse ano, a sua devotada fundadora e directora, Dra. Ofélia Albuquerque, retirou-se gravemente doente para Portugal, onde desencarnou em 5 de Setembro. Em 1998, desempenhando o autor o cargo de presidente da Federação Espírita Portuguesa, esta organizou em Lisboa, sob a égide do CONSELHO ESPIRITA INTERNACIONAL, o 2.º Congresso Espírita Mundial. O grandioso evento reuniu países
de todos os quadrantes, com quase 3.000 participantes inscritos. Foi nessa ocasião que tive oportunidade de conhecer a Dr.º Amélia Cazalma, representante de Angola, e apresenta-la a várias entidades espíritas portuguesas, procurando apoios, além do da FEP, para o movimento espírita angolano, onde a prezada confreira trabalhava (e continua hoje a trabalhar) como activa dirigente.
Texto: João Xavier de Almeida
A nossa sociedade apresenta flagrantes contradições entre os ideais consagrados na lei e a sua prática diária. Olhemos, por exemplo, para tudo quanto diz respeito à igualdade de direitos entre os sexos. Vejamos como a realidade distorce a visão igualitária, sobrepondo-lhe interesses que geram a desigualdade e a injustiça.
Diz a Constituição da República Portuguesa no seu Artigo 13º (Princípio da Igualdade), parágrafos 1 e 2: "Toc%os os cidadãos (homens e mulheres) têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.” “Ninguém (homem ou mulher) pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social.
” Diz no Artigo 36º (Família, casamento e filiação), parágrafo 1, “todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade” e, no parágrafo 3, “os cônjuges têm iguais ireitos quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos”. O Artigo 46º diz que “é garantida a liberdade de aprender e ensinar”. O Artigo 48º diz que “todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos políticos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos”.
O Artigo 50º diz que “todos os cidadãos têm o direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade, aos cargos públicos”.
