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es ou ausentes” - é, por exemplo, a lembrança de um lugar que se tenha

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 154 min

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es ou ausentes” - é, por exemplo, a lembrança de um lugar que se tenha ido visitar, de uma conversa que se tenha tido, ou as anteriormente referidas criações mentais, que é o caso de uma visão actual das coisas ausentes; 2) “visão retrospectiva do passado e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro” - durante o sono, menos limitados pelo invólucro carnal, podemos lembrar-nos de coisas que nos tenham acontecido noutras encarnações ou no estado de erraticidade e, muito excepcionalmente, pressentir (e não adivinhar) algo futuro; 3) “quadros alegóricos que os espíritos nos põem sob as vistas” Espíritos mal intencionados podem aproveitarse de alguma fraqueza da nossa parte para projectar nas nossas mentes imagens que nos atormentem, induzam em erro, etc.

, benfeitores amigos, ao tentar, por exemplo, explicar-nos alguma dificuldade que teremos que passar, poderão comparar a situação a uma escadaria que temos que subir para atingir o nosso fim, e o nosso sonho, isto é a lembrança dessa conversa, poderá limitar-se a esse quadro alegórico.

São apenas alguns exemplos dos três tipos de sonhos que Allan kardec refere podermos ter, para que saibamos interpretar melhor as famosas “interpretações dos sonhos”. No entanto, nem sempre nos lembramos do que nos aconteceu durante o sono, isto é, nem sempre sonhamos. Por um lado, isso deve-se às necessidades ou conveniências dessas lembranças, mas tratando-se de úteis ideias ou conselhos adquiridos, decerto nos virão como inspiração no momento oportuno, como nos é explicado em “O Livro dos Espíritos”; por outro lado, “como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegam por intermédio dos órgãos corporais” (em resposta à questão 403 - O Livro dos Espíritos).

Para terminar, um pequeno excerto do “Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O sono foi dado ao homem para preparação das forças orgânicas e também para a das forças morais. (...) Mas, (...) acontece que nem sempre o Espírito aproveita dessa hora de liberdade para seu adiantamento. Se conserva instintos maus, em vez de procurar a companhia de Espíritos bons, busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso aos seus pendores.

Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximarse o sono, e peça o conselho dos bons espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso na adversidade”.

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Recordações do movimento espírita: Angola

Duvido que abundem fontes ou dados históricos institucionais acerca do movimento espírita em

Angola, anteriores à descolonização; testemunhos das muitas pessoas ligadas de alguma forma ao referido movimento, seriam pois uma boa maneira de procurar reconstituí-lo.

O regime colonial mantido ali pela ditadura portuguesa, não estudava nem incentivava as tímidas manifestações de mediunismo tradicional autóctone, por exemplo de natureza fúnebre; desrespeitava-as, mesmo, ao menor pretexto. A Igreja Católica era francamente privilegiada. Porém justiça se faça ao valioso trabalho de missionários seus, que recolheram muitos elementos de etnografia, antropologia, possíveis fontes de subsídios para o nosso estudo, e de línguas indígenaspor exemplo, o Padre Bermann, creio que belga, uma dessas personagens mais exponenciais, e o benquisto Monsenhor Alves da Cunha, que o autor ainda conheceu pessoalmente.

Justiça se faça também à posição nobre que por volta de 1960 a Igreja Católica, através do Arcebispo de Luanda D. Moisés Alves de Pinho, assumiu em defesa dos valores culturais nativos, quando o governo de Salazar ordenou o bárbaro vandalismo de apreender e destruir todos os livros didácticos, ou outros, em línguas indígenas; tratava-se sobretudo de catecismos, gramáticas e dicionários de quimbundo e umbundo organizados durante décadas por missionários católicos.

De assinalar também que, em 1948, o primeiro ano do curso de filosofia do Seminário Arquidiocesano de Luanda incluiu a disciplina de quimbundo.

O regime tolerava, não sem alguma suspeição, as religiões protestantes, que nas suas missões tinham excelentes hospitais e missionários médicos de grande valor, voltados para o atendimento às populações rurais. Até aos anos 70, eram famosos em todo o território os drs. Parson, na Missão do Lépi, e Strangway, na de Catabola, ambos, médicos excelentes e muito dedicados às populações nativas, ocasionalmente procurados também pelos colonos.

Quanto a Espiritismo, a atmosfera social reinante era muito preconceituosa e de generalizada desconfiança, mas não deixavam de existir pequenos núcleos dispersos, não organizados e muito menos institucionalizados, em diferentes zonas de Angola: pelo menos Luanda, Malanje, Huambo, Lobito e Benguela. Em grande parte, porém, não se tratava de Espiritismo autêntico, mas da ramificação -- digamosdenominada “Racionalismo Cristão”, ou “Espiritismo Científico Cristão”.

Foi este fundado no início do século XX no Rio de Janeiro por um português honrado, culto e ex-ateu (Luiz José de Mattos, cônsul do seu País no Brasil). Rendera-se à eficácia e probidade dum centro espírita, que, para sua surpresa, o curou duma enfermidade que o prostrava e resistia a todos os tratamentos médicos.