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ora da véspera: - João!

Jornal de Espiritismo nº 8 · 2005Página 144 min

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- João! Vamos embora, vamos partir. O trem não espera!

Sem oportunidade para lhe perguntar qual o destino, o nosso personagem sente um adormecimento, como se se tratasse de uma anestesia suave.

Depois, João vê-se num sítio de muito trabalho. Estupefacto, pensa: "Isto é uma guerra! Estão aqui a chegar constantemente mutilados, feridos. Eu não vou dar conta disto... eu não tenho coragem, não vou conseguir fazer nada! Não, não quero ver sangue".

Alguém lhe diz: "João, já que não queres ver sangue, pega num dos lados desta maca, que eu pego no outro, e vamos trabalhar. Há um serviço que não pode ser adiado, vamos trabalhar". Só pensava na chegada da noite, para poder descansar. Mas passado tempo, naquele estado, reparava que não havia noite nenhuma ali! Era dia em permanência. João trabalhou, trabalhou muito. Pensava que não podia estar na Terra, mas em algum outro sítio, sem saber qual. Um pensamento dominava-o:

Quero descansar! Preciso de descanso... deixem-me descansar. Já não tenho mais forças...

É com esses sentimentos que chega à reunião mediúnica e os seus pensamentos tornam-se palavras audíveis no mundo material pela voz do médium psicofónico. Alguém ali ao lado, ouvidas essas palavras repetidas, inicia a conversação esclarecedora:

- Então, amigo. Chamo-me Álvaro. Como te chamas?

João apercebe-se agora de que está numa sala com meia dúzia de pessoas tranquilas, todas elas sentadas à volta de uma mesa. Mas, passados minutos, à medida que alarga o olhar, vê uma pequena multidão heterogénea a emoldurar a sala, para além das próprias paredes. Diante das palavras que Álvaro lhe dirige, sente que chegou a um porto de abrigo. Pouco a pouco João vai-se apercebendo de que já largou o corpo físico e que, com esperança, pode começar uma vida mais ampla e enriquecedora, de ordem espiritual.

À medida que o diálogo reflecte mais fraternidade entre ambos, João repara que começa a ver pessoas que não via antes, que lhe sorriem e aguardam ensejo de lhe falar. No fim do diálogo, um destes espíritos dirige-seIhe com gentileza e convida-o a acompanhálo, a fim de receber mais esclarecimentos para a nova vida que o aguarda além da matéria. Aproveitar as oportunidades de aprender e de trabalhar não é um luxo nem uma opção meramente facultativa, mas é recurso valioso que importa não desperdiçar.

Caminha-se melhor e mais depressa quando há mais luz nos caminhos que trilhamos. Há tempo para dormir. E há tempo para trabalhar.

Texto: Jorge Gomesjorge.je&clix.pt opinião

A partir do momento em que o ser atinge o grau que lhe permite iniciar a sua caminhada evolutiva como criatura consciente, ou seja, como Espírito, apesar do estado de inércia mental em que pode cair por certos períodos de tempo, jamais fica “apagado”.

Mas, como justificar essa constante actividade, se o homem, espírito (encarnado) que é, passa diariamente algumas horas “inactivo” a dormir?

É que, quando adormecemos, os laços que nos mantêm ligados ao corpo orgânico enfraquecem e, então, parcialmente libertos do invólucro carnal, continuamos activos. Consequentemente, pelo “desprendimento” que o sono provoca, passamos (em geral) a usufruir das nossas faculdades com maior amplitude, já que, durante o estado de vigília, elas se encontram limitadas e enfraquecidas pelo invólucro mais grosseiro.

Quanto ao dito “desprendimento” do espírito, diz-nos André Luiz (Mecanismos da Mediunidade) que, “seguindo-lhe a excursão, vê-lo-emos, porém, constantemente ligado ao corpo somático por fio tenuíssimo, fio este muito superficialmente comparável, de certo

confusos daquilo que o espírito vive durante os sono. E essa nossa actividade, enquanto o corpo somático se refaz, diz quase sempre respeito ás nossas questões íntimas, sejam elas reais, fantasiosas ou até mesmo escusas. Como nos diz André Luiz, a criatura “fora do veículo somático, possui no próprio desejo o reflexo condicionado que lhe circunscreveráoâmbito da acção além da roupagem fisiológica”. Assim, o estudioso procurará aprender um pouco mais, o avarento continuará preocupado com o seu dinheiro, o viciado no sexo tentará satisfazer os seus desejos, o amigo preocupado irá oferecer o seu apoio, etc., etc.

Contudo, e ainda segundo André Luiz, a maioria das criaturas, geralmente, fica junto ao invólucro carnal a devanear nos pensamentos que cultiva e “configura na onda mental que lhe é característica as imagens com que se acalenta, sacando da memória a visualização dos próprios desejos, imitando alguém que improvisasse miragens, na antecipação de acontecimentos que aspira a concretizar”.

Podemos então perceber que ainda não sabemos aproveitar bem essas horas de maior liberdade e que, muitas vezes, as passamos em criatividade mental.

Nem sempre nos lembramos do que nos aconteceu durante o sono, isto é, nem sempre sonhamos. Por um lado, isso deve-se às necessidades ou conveniências dessas lembranças, mas tratando-se de úteis ideias ou conselhos adquiridos, decerto nos virão como inspiração no momento oportuno.

modo, à onda do radar, que pode vencer imensuráveis distâncias”. E, temos em “O Livro dos Médiuns”, que, “por meio dessa comunicação, entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago”. Os sonhos, prova de referida actividade, são imagens e/ou episódios mais ou menos

Os sonhos de criação mental acontecem quando, durante o sono, visualizamos mentalmente imagens e/ou episódios daquilo que desejamos, tememos, etc. Por exemplo, se sonharmos com alguém que queremos ver, não significa que nos tenhamos encontrado com esse alguém durante o sono, pode ter sido apenas o nosso desejo a dar origem a esse quadro mental.

Allan Kardec esclarece, em “O Livro dos Médiuns”, que os sonhos podem ser:

1) “uma visão actual das coisas present