Entrevista Janeiro.fevereiro.2017
Jornal de Espiritismo nº 80 · Outubro 2017Página 134 min
ENTREVISTA JANEIRO.FEVEREIRO.2017 lua, o seu inconsciente, o que é que se passa. Autoconhecimento. Porque sofro? Porque tenho reações que me incomodam? A psicologia ajuda. A fluidoterapia, o passe magnético, está no pacote. Entretanto estamos a falar do maior divulgador do espiritismo, médium, que sempre que fala sobre esse assunto categoricamente confirma a necessidade de um atendimento holístico. Tem de ter a medicação para equilibrar a bioquímica do cérebro – o passe não vai resolver nesse sentido, a prece, a meditação também não.
É química! Mais: psicoterapia. Háasérie psicológica de Joanna de Ângelis exaltando o avanço da humanidade na compreensão de como a mente opera respostas que nós não sabemos de onde vêm. A psicoterapia ajuda-nos a conhecermo-nos melhor nesse sentido, a favor da saúde. O espiritismo tem sempre a capacidade de ajudar, mas nem sempre de resolver por completo. Imagine uma família que inclui alguém com tendências suicidas.
Que linha de conduta devem ter os familiares? André Trigueiro – Em primeiro lugar não sufocar, não criticar, não ofender, não reprimir. Abrir um canal de conversação, um diálogo aberto e franco e uma postura recetiva de acolhimento dessa dor que não conhecemos. Uma pessoa que queira matar-se, ela realmente não quer matar-se, ela quer é resolver um problema. Esse problema é muito difícil de ser explicado, é muito perturbador, e nenhum de nós tem o direito de julgar.
Por isso a primeira postura é acolhimento. É construir uma relação em que a pessoa tenha confiança para relatar o que se passa e tentar construir com essa pessoa cumplicidade na busca por uma saída. Cada um é diferente, mas a ideia é tentar solidarizar-se e encorajar essa pessoa, mesmo que ela não acredite, mesmo que ela não sinta que haja saída, que pela família, pelo filho, pela filha, pelo amigo, por Deus, por qualquer coisa, “Faz o que te estou a pedir: vamos procurar um especialista, uma pessoa que consiga oferecer um socorro imediato, com eventual uso de medicação”.
Havendo a possibilidade de fazer esse atendimento mais amplo e holístico, é muito bem-vindo. Psicoterapia e, havendo uma abertura ainda maior, a fluidoterapia – o passe magnético que é a harmonização dos chacras, dos meridianos, a profilaxia do campo eletromagnético que nos cerca… em mais de metade dos casos de depressão há consórcio de obsessores. Precisamos de ter uma trégua e buscar, digamos, um padrão de conforto, entender a importância da parte que nos cabe na retomada da saúde, promovendo conversas edificantes, escolhendo bem o que se vai consumir na internet, na televisão, música, alimentação, horário de dormir – tudo isso conspira em favor da saúde, do equilíbrio, ou numa direção oposta.
Precisamos de ser bons administradores de nós mesmos, bons gestores de nós próprios. Parafraseando São Francisco, precisamos de «cuidar bem do nosso jumentinho», ele precisa de ser cuidado com muito amor e muito carinho. Não é feio sentir uma tristeza persistente ou sentir-se deprimido. As pessoas encapsulam - -se, isolam-se porque se sentem fora do padrão – a gente tem de acolher, tem de dizer «Faz parte! Acontece com muita gente, vamos juntos!
». Sendo jornalista especializado em questões ambientais, o que o leva a interessar-se pela prevenção do suicídio? André Trigueiro – Não vejo incompatibilidade, porque na verdade, se prestar atenção, estamos a falar da proteção da vida ou da prevenção do ecocídio, quando falo de sustentabilidade, e da prevenção do suicídio, quando falo da importância da vida. Que cada um assuma e tenha coragem de viver, porque viver é sempre a melhor opção.
Quando estamos a falar da beleza da função, da pertinência, da urgência da vida, ela resolve - -se numa escala de unidade – a minha vida, a minha existência, a minha resiliência, a minha saúde – e ela resolve-se na escala do coletivo: a nossa alegria, a nossa saúde, a nossa longevidade. O meio ambiente começa no meio da gente. Acho paradoxal defender a vida de uma pessoa sem entender a dimensão da vida naquilo que tange ao que ocorre à nossa volta porque somos extremamente interdependentes uns dos outros, e todos nós, no planeta que nos cerca.
Essa individualização, essa segmentação, pertence ao saber científico que fragmentou o conhecimento. Então, o conhecimento mais… eu diria, filosoficamente falando, uno, é o que consegue conceber tudo o que existe dentro de uma mesma equação. É aquilo que Pietro Ubaldi perseguiu, é aquilo que Eisntein não conseguiu resolver tentando explicar Deus numa equação matemática. Mas é como sinto, acho que não há incompatibilidade – são complementares, o cuidado com o uno, o cuidado com todos.
Estamos a falar, portanto, dos dois lados de uma mesma moeda, que se complementam. Há uma frase do Krishnamurti muito interessante: não é possível dizer-se com saúde numa sociedade doente. Então precisamos descobrir porque é que no mundo há tanto suicídio, porque é que há tanta destruição ambiental? As respostas vão ser encontradas, a meu ver, no mesmo lugar. Acho que temos uma dessintonia com o mesmo, eu diria, com uma mesma fonte de informação e de verdade universal.
Porque é que tanta gente desiste de viver, e porque é que tanta gente malbarata o meio ambiente? As causas podem ser surpreendentemente as mesmas. Nota: pode assistir a esta entrevista em vídeo no canal do Youtube da ADEP na listagem intitulada “À CONVERSA COM…”. * Sociedade Portuguesa de Suicidologiahttp://www.spsuicidologia.
