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Opinião (pág. 15)

Jornal de Espiritismo nº 80 · Outubro 2017Página 153 min

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Quinhentas mil pessoas mortas, em 5 anos, (dados de Dezembro de 2016) numa guerra civil alimentada pelos “Senhores da Guerra” de todo o mundo. Quem está “bem”, em “paz e sossego”, assobia para o lado, fingindo não ver. Aquando dos atentados terroristas em Paris, em Novembro de 2015, morreram mais de 100 pessoas, e os dirigentes de todo o mundo desfilaram, de braço dado, em plena capital francesa, numa união contra o terror.

Em 3 de Janeiro de 2015, na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haramo mesmo grupo que sequestrou centenas de meninas de uma escola nigerianaatacou o vilarejo de Baga e pode ter matado de 150 até 2 mil pessoas, além de atear fogo a toda a cidade. Nem no caso africano, nem no sírio, vimos tanto empenho como em Paris (nas ruas, nos jornais, nas redes sociais) por parte dos ocidentais, consternados e “unidos” em torno de um massacre de mais de 100 pessoas, em França.

Não estamos a falar de números, estamos a falar de pessoas, estamos a falar de hipocrisia humana, de egoísmo de alto nível, de falta de ética, falta de moral, falta de princípios de toda a ordem. O Ocidente “civilizado” revolta-se contra os “seus” mortos, e esquece os mortos de outros países. O Ocidente esquece-se que viajamos todos dentro e um grande avião chamado Terra, com 7,4 mil milhões de passageiros, e não se apercebe da suprema estupidez que é haver guerras dentro de um avião, entre passageiros de classe executiva e classe económica.

Allan Kardec, o eminente sábio francês que compilou a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo), perguntou aos Espíritos, na questão 913, em “O Livro dos Espíritos”, de entre os vícios, qual o pior deles todos. Os Espíritos superiores responderam: “Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo… Ele neutraliza todas as outras qualidades.” Quem viajasse num avião com 300 pessoas, e ignorasse os desacatos ocorridos na parte de trás do mesmo, pensando estar a salvo na classe executiva, demostraria não só um alto grau de egoísmo, como uma enorme estupidez, insensatez e loucura.

Nós, ocidentais, viajamos em classe executiva, neste grande avião Terra, que voa a cerca de 107.000 Km/h em volta do Sol, e somente por pouca evolução espiritual, tremendo egoísmo, enorme insensibilidade e indiferença, preocupamo-nos com o nosso bem-estar e o do nosso vizinho, sem cogitar das necessidades alheias, de quem pode menos do que nós, de quem precisa mais do que nós. O Espiritismo demonstra que somos Espíritos imortais, que a vida continua e que a reencarnação é uma realidade, onde cada um colhe hoje o que semeou em outras vidas, de bom e de mal.

É urgente divulgar o Espiritismo, para que as pessoas se tornem espiritualistas, entendam o porquê da vida, quem somos, de onde viemos e para onde vamos, bem como que, fora da caridade não há salvação, isto é, a fraternidade é o único caminho que nos leva ao bem-estar interior e à paz social. Eu sou passageiro do avião Terra, colocaram-me em executiva à nascença, na fila Portugal, mas não me conformo com a mortandade lá atrás, apesar dos “tripulantes de bordo” me dizerem que esteja quieto, que está tudo bem.

Na Terra, ninguém tem nacionalidade, somos todos vizinhos, nesta aldeia global, e amanhã, pelo fenómeno natural (e comprovado cientificamente) da reencarnação poderemos reencarnar noutro país qualquer, desde que isso seja útil para a nossa evolução moral e intelectual. Desculpem-me, mas, neste voo, eu não sou ocidental, sou apenas um viajante, temporariamente em executiva. É preciso fazer a paz… dentro e fora de nós!

Por José Lucas Alepo: eu não sou ocidental Alepo, cidade-mártir da Síria, ficará na História como uma das maiores vergonhas da Humanidade, no início do século XXI. foto arquivo JANEIRO.FEVEREIRO.2017 O egoísmo é a causa de todos os males.